


Transplante de Medula Óssea19/08/2010 às 07:00
Lívia Bonfim Medula óssea consiste em um tecido líquido encontrado no interior dos ossos, com o formato do tutano do osso e encontrado em maior quantidade no osso da bacia. É na medula óssea que se encontram as células que produzem os componentes sanguíneos: as hemácias, por onde o oxigênio é transportado dos pulmões para todas as outras células do nosso organismo e o gás carbônico, resultado da respiração, que é levado das células para os pulmões para ser lançado fora; os leucócitos, que são os agentes mais importantes do sistema de defesa do nosso organismo, inclusive nos defendem das infecções; e as plaquetas, que compõem o sistema de coagulação do nosso sangue. Lucéia Fernandes da Silva, a responsável pelo setor de cadastramento de novos doadores do Centro de Hemoterapia e Hematologia do Mato Grosso do Sul (HEMOSUL), explica que a medula óssea é a “fábrica” do sangue e quando a pessoa for doar, ela não terá nenhum risco de sequelas físicas ou de saúde, porque não está na coluna vertebral, e o que é retirado para o transplante o organismo repõe em até 15 dias. Segundo a Associação da Medula Óssea (AMEO) o transplante é necessário para pessoas portadoras de alguns tipos de leucemia e outras doenças relacionadas ao sangue, que comprometem o funcionamento da medula óssea. A indicação do transplante depende, em geral, da doença e da fase da doença em que os pacientes se encontram. Ele só acontece em última instância, ou seja, se depois de todo o tratamento de quimioterapia não houver uma recuperação do paciente. Na semana do transplante, o paciente entra em um processo de preparação para receber a medula óssea “nova”, ou seja, é necessário destruir a medula óssea doente, com uma carga quimioterápica intensa, para receber a saudável, sem a possibilidade de restar um mínimo que seja da medula doente, pois, caso isso aconteça, a medula saudável adoece e o transplante não obtêm resultado. Os principais riscos se relacionam às infecções e às drogas quimioterápicas utilizadas durante o tratamento. Com a recuperação da medula, após transplantada, as novas células crescem com uma nova “memória” e, por serem células de defesa do organismo, podem reconhecer alguns órgãos do indivíduo como estranhos. Esta reação é relativamente comum e pode ser controlada através de medicamentos adequados. No transplante de medula a rejeição é rara. Se o paciente não obtiver resultados positivos após receber a nova medula, não se tem mais o que fazer. Para uma pessoa tornar-se doador de medula, as exigências mínimas são: ter entre 18 e 55 anos de idade, não ter feito nenhum tratamento de câncer com quimioterapia, sem histórico das hepatites B e C, que estão diretamente relacionadas ao sangue e às condições normais de saúde. O primeiro passo a ser dado pelo candidato à doação, é o cadastro em um banco de doadores, que consiste na coleta de uma amostra sanguínea para fazer a identificação das características genéticas. Caso este doador em potencial for compatível, ou seja, as características genéticas forem idênticas as de algum paciente, ele é convidado a fazer a doação para o transplante. Ao ser informado de sua compatibilidade pelo médico, o doador decidirá se realmente fará a doação. Com sua confirmação, é marcada a data do transplante e o médico, informado da completa situação do paciente, indicará qual o melhor método de doação. O doador deve então ser avaliado com exame físico e testes laboratoriais, a fim de garantir a segurança do receptor, evitando transmissão de doenças, bem como a segurança do próprio doador. Essa avaliação deve considerar idade, sexo, avaliação das funções hepáticas (fígado) e renais (rim), vacinações recentes, teste de gravidez, radiografia de tórax, eletrocardiograma, avaliação psiquiátrica, entre outros procedimentos essenciais para a segurança do próprio doador. Lucéia da Silva explica que são duas as formas de doação: a primeira é a punção óssea, que é sempre a mais indicada e que consiste em levar o doador ao centro cirúrgico, aplicar anestesia geral e fazer a coleta direta da medula óssea com agulha especial e seringa na região da bacia. A quantidade retirada corresponde a menos de 10% da existente. A segunda forma de doação é a filtração, na qual o doador recebe um medicamento por cinco dias que estimula a multiplicação das células da medula óssea. Essas células migram da medula para as veias e são filtradas. O processo de filtração dura em média 4 horas, até que se obtenha o número adequado de células necessárias. O efeito colateral mais frequente deste procedimento é conseqüência do uso do medicamento, que em alguns doadores pode provocar dores no corpo, como uma gripe. O doador por possuir uma medula sadia e bom estado de saúde, reconstituirá o que doou rapidamente e poderá voltar às atividades normais. Em casos especiais e raros, de haver compatibilidade do doador com mais de uma pessoa que necessite do transplante, ele poderá doar novamente a medula óssea. Fonte da Foto: http://www.scumdoctor.com/images/Difficult-Match-And-Bone-Marrow-Transplant.jpg |