
Doação de medula: procedimento sem risco30/08/2010 às 07:20
Cláudia Camargo Há muita desinformação sobre a doação de medula óssea e quase tudo que se fala a respeito é falso. A doação é um processo simples que depende apenas da vontade das pessoas de serem doadores. O Presidente Luís Inácio Lula da Silva aprovou uma lei chamada Lei Pietro, que institui no país a semana de Mobilização Nacional para Doadores de Medula Óssea, a ser celebrada todos os anos entre os dias 14 e 21 de dezembro. A campanha para doação, porém, não deve ser feita apenas em uma semana como declara a responsável pelo setor de medula óssea do Hemosul, Lucéia Fernandes. O trabalho de divulgação e incentivo para o cadastramento de medula óssea é diário. Diz ela também que no Hemosul de Campo Grande a campanha é feita através da abordagem aos doadores de sangue e com campanhas externas em empresas, escolas e universidades. A preocupação em divulgar esse transplante, se deve, entre outros motivos, ao fato de só ser possível realizá-lo em vida, uma vez que o organismo precisa estar em processo de produção de células sanguíneas, ou seja, precisam estar vivas para produzir novas células. As células-tronco que compõem a medula óssea se encontram em todos os ossos. Os que têm maior concentração, no entanto, são os chamados “ossos chatos” como, por exemplo, os ossos da costela e o osso ilíaco (na região da cintura). Há duas formas de transplante de medula óssea, explica o médico responsável pela disciplina de hematologia da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Luis Henrique Mascarenhas: uma é pela pulsão, quando as células-tronco são coletadas do osso com agulhas; a outra forma é retirá-las do sangue. Estimula-se a medula a liberar maior quantidade destas células que são retiradas pelas veias periféricas. Nesse caso o transplante assemelha-se ao processo de doação de sangue. A quantidade retirada depende geralmente do peso do receptor, e não prejudica o doador, porque estas células têm alto poder de regeneração. Chega-se à compatibilidade entre indivíduos por testes de histocompatibilidade, que é a checagem do HLA (antígenos de compatibilidade). Se forem idênticos, significa que os indivíduos são compatíveis. A porcentagem de encontrar alguém compatível é de 25% a 30% entre parentes, para não aparentados as chances se reduzem a uma a cada cem mil. O transplante acontece em vários processos, como esclarece Lucéia. O primeiro deles é apenas o cadastramento, quando o doador retira 4ml de sangue e, caso ele seja compatível com algum paciente, é chamado para a retirada de uma nova amostra para total averiguação. Confirmada a compatibilidade, o doador é submetido a vários exames para saber se é saudável o suficiente para doar suas células-tronco. Passada mais essa fase, ele é condicionado a um acompanhamento psicológico para conscientização, enquanto o receptor recebe tratamento químico para a destruição total de suas células tronco que estão doentes. Quando o receptor estiver em condições para recebê-las, o doador vai até a central de transplantes em que o receptor está cadastrado e finalmente as repassa. Este processo não traz nenhum risco para o doador. Se a retirada das células for do osso ele recebe anestesia, fica com um curativo no local e é dispensado logo em seguida. Não há seqüelas nem traumas e pode ocorrer de sentir dor no local, porém, passageira. Se o transplante for por veia periférica não é necessário anestesia nem curativo, assim como na doação de sangue. Todo o processo pelo qual o doador passa é custeado pelo governo federal. Para se cadastrar como doador de medula óssea é necessário ter entre 18 e 55 anos, ser saudável e não ter doenças que possam ser transmitidas pelo sangue. Gripes, resfriados, dor de garganta, tatuagens, peso inferior a 50 kg, todas essas informações são relativas a doação de sangue. As restrições são, caso confirmado de hepatite B ou C; câncer; seções de quimioterapia; e idade inferior a 18 ou superior a 55 anos. As restrições são poucas porque o cadastramento é apenas para a identificação do HLA, todos os demais exames serão realizados em caso de possível compatibilidade. Em Campo Grande todos os bancos de sangue realizam coleta para cadastramento, são eles: Hemosul; Banco de sangue do Hospital Universitário; Banco de Sangue do Hospital Regional; Banco de sangue da Santa Casa. No interior do estado as cidades de Três Lagoas; Dourados; Ponta – Porã e Paranaíba têm Núcleos Hemoterápicos que realizam o cadastramento de medula óssea. Fonte da Foto: http://www.corposaun.com/wp-content/uploads/2010/07/Doa%C3%A7%C3%A3o-de-Medula-%C3%93ssea.jpg |