Ciência e Notícia

Universidade Federal de MS

Setor sucroalcooleiro emprega 30 mil trabalhadores em MS

29/06/2009 às 07:10

Em 2009, 10 mil novos empregos devem ser gerados com a abertura de mais sete usinas no estado.

cana

Bianca Celoto


O setor sucroenergético em Mato Grosso do Sul emprega atualmente, entre a produção da cana-de-açúcar no campo e o processamento nas usinas, aproximadamente 30 mil pessoas, segundo estimativa da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agrário, Produção, Indústria, Comércio e Turismo (Seprotur). São 14 usinas funcionando no estado, com capacidade para produzir até 1,6 bilhão de litros de etanol e empregando mão-de-obra qualificada e desqualificada.


Para 2009, a Seprotur prevê entrada de seis novas usinas sucroenergéticas em operação no Mato Grosso do Sul e pelo menos sete novas unidades devem iniciar a operação este ano, elevando de 14 para 21 o número de indústrias do setor, um crescimento de 50%, que resultará em aproximadamente 10 mil novos empregos diretos e indiretos.


Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Açúcar e Álcool de Naviraí, José Carlos Dutra, somente nas usinas de Iguatemi e Naviraí são cerca de 880 funcionários trabalhando na parte industrial e mais aproximadamente 4000 trabalhadores lidando com o corte da cana. 90% dos trabalhadores das usinas sucroalcooleiras do Cone-sul do estado são moradores da região, dentre eles muitos indígenas. Cerca de 200 a 300 cortadores de cana são migrantes nordestinos que vêm principalmente da Bahia.


Do “químico” ao “cortador”


A exigência de mão-de-obra qualificada no setor sucroalcooleiro e as oportunidades de trabalho para jovens profissionais marcaram uma corrida contra o tempo. Estão em funcionamento no estado cinco cursos técnicos de açúcar e álcool, sendo três em Campo Grande, nas escolas Paulo Freire, Padrão e CBA/ABC, e dois no interior, no Colégio CENA, em Nova Andradina e no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), em Deodápolis. A carga horária varia de 1.230 a 1.870 horas/aula, e o tempo de conclusão vai de 18 a 24 meses. Em 2009, o Estado deve ganhar o primeiro curso de graduação na área de produção de açúcar, etanol e co-geração de energia. O curso superior de Tecnologia e Produção Sucroalcooleira será implantado pela Uniderp/Anhanguera.


No entanto, a grande parte das oportunidades de trabalho geradas na produção do etanol ainda é voltada para a mão-de-obra desqualificada, representada principalmente pelos cortadores de cana. Segundo um estudo publicado na obra “Impactos da Indústria Canavieira no Brasil”, uma publicação que reúne artigos de estudiosos das principais universidades do país, a exposição dos cortadores de cana aos resíduos das queimadas, às altas temperaturas, ao esforço físico intenso, e à aplicação de agrotóxicos impõe a estes trabalhadores uma rotina que, para alguns estudiosos, equipara-se ao trabalho escravo. Para o sindicalista José Carlos Dutra, os principais problemas enfrentados pelos trabalhadores do setor sucroalcooleiro de Mato Grosso do Sul são relacionados a cargos e salários. “Falta reconhecimento do estado”, explica.


A Secretaria Geral da Presidência da República implantou, em julho de 2008, após uma série de reuniões preparatórias entre governo, trabalhadores e empresários do setor, a “Mesa de Diálogos”, para aperfeiçoar as condições de trabalho na cana-de-açúcar. A iniciativa visa um entendimento entre empregadores e trabalhadores no setor da agricultura, buscando o cumprimento da lei. Mas com a crise econômica internacional e uma possível estagnação da implantação de novos projetos, a questão da perda de postos de trabalho com a mecanização se recoloca na agenda.


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