
Solo e clima na produção de biocombustíveis: como adaptar as plantas em diferentes lugares?29/06/2009 às 07:15Solo e clima têm de estar em concordância com as culturas com que se trabalha, pois, caso contrário, aumentam as chances de insucesso.
Fernanda Ellen
Diante do contexto das discussões acerca dos biocombustíveis, a variedade de plantas que podem ser usadas provoca curiosidade. Mamona, milho, pinhão manso, bocaiúva, crambe, carandá são alguns dos numerosos exemplos de culturas com as quais se produzem fontes de energia alternativa. O Brasil é famoso pela produção do etanol a partir da cana-de-açúcar, e Mato Grosso do Sul é um dos estados que mostram interesse nesta atividade.
Uma das grandes dificuldades no estudo das plantas cultivadas com o objetivo de produção de biocombustível é a adaptação ao clima e ao solo do estado. Em Dourados e Nova Andradina, por exemplo, cultiva-se a cana-de-açúcar, mas estas cidades não têm condições morfoclimáticas ideais para tal. Quando isso acontece, a cultura não desenvolve todo seu potencial produtivo. “No caso da cana, porém, existem diversas variedades da planta, com características diferentes, e ainda há centros de desenvolvimento de novas variedades no Mato Grosso do Sul”, explica o presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul, Roberto Hollanda. Isso indica que, no futuro, provavelmente os problemas quanto à adaptação serão minimizados.
João Flávio Veloso Silva, Chefe Adjunto de Pesquisa da Embrapa Soja, acrescenta que “a principal modificação se dá quanto ao pH, que é reduzido com a adição de calcário”, já que os solos brasileiros são frequentemente ácidos. Além disso, Veloso fala da adubação, que supre a falta de nutrientes. Cada planta tem seu lugar
A variação de solo e clima é uma das principais fontes de risco a qualquer atividade agrícola, principalmente no Brasil, onde há intensas oscilações desses fatores. Juntamente ao desenvolvimento sustentável, a eficiência no uso dos recursos e o enriquecimento da qualidade dos produtos são os maiores desafios da agricultura da atualidade. Tendo em vista que desconhecer detalhes sobre o clima e o solo de uma localidade pode resultar em insucesso na colheita, existem trabalhos de zoneamento morfoclimático.
Os zoneamentos são realizados por meio de levantamentos de detalhes bastante específicos de uma determinada área, que pode ser uma região, uma cidade ou até uma fazenda. Ocorrência de chuvas, variação de temperatura e quantidade de minerais no solo são alguns dos fatores indicativos de potencial para uma cultura que podem facilitar a tomada de decisões e a adoção de técnicas condizentes com as necessidades da área.
Essa dá, essa não dá
No Mato Grosso do Sul foi introduzido o cultivo do pinhão manso como fonte de energia alternativa, mas, apesar de seu grande poder de adaptação, teve seu desenvolvimento comprometido pela falta de fósforo no solo. Outras plantas, como o dendê, são até descartadas, visto que as condições morfoclimáticas daqui são muito diferentes das da Bahia, onde o dendê é comum. De qualquer forma, antes de instalada qualquer usina de biocombustível, é obrigatório o desenvolvimento de um estudo ambiental, que, de antemão, já pode “prever”, além dos impactos, as necessidades de adequação. Assim, as chances de insucesso serão muito menores, e o alcance do potencial produtivo da cultura muito mais real. |