
Do quintal da fazenda para o motor do carro29/06/2009 às 07:20
Pesquisadores do Estado revelam que cultivares alternativas como o pinhão manso, nabo forrageiro e bocaiúva podem se tornar principais elementos para mover veículos no futuro ![]() “pinhão manso é a vedete dos biocombustíveis, diz pesquisador” / FONTE: Divulgação) Evandro Cini “As regiões com facilidade de cultivo de plantas alternativas para a produção de Biocombustíveis serão as senhoras da história”. Essas foram as palavras do Superintendente de Ciência e Tecnologia (Sucitec), João Onofre Pereira Pinto, ao falar das novas cultivares que servirão de matéria-prima para a produção de biocombustíveis em Mato Grosso do Sul. Além da cana-de-açúcar, pinhão manso, nabo forrageiro, bocaíuva, carandá, canjiqueira, baru, mamona e crambe são a grande promessa dos pesquisadores para adaptação ao solo e clima do estado. Para o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste de Dourados, Guilherme Lauforcade Asmus, o pinhão manso, por exemplo, é uma das leguminosas que prometem grande produção de biocombustível devido à fácil adaptação em qualquer tipo de solo. “O Pinhão manso é a vedete dos biocombustíveis”, diz ele, referindo-se à grande quantidade de óleo que pode ser extraído da leguminosa. Prova de 100 hectares O produtor Mário Antônio de Déa mostra que o cultivo de plantas alternativas dá certo. Ele cuida da Fazenda Yverá, em Dourados, a 219 km de Campo Grande e plantou cerca de 100 hectares de pinhão manso. “Tudo começou quando um amigo meu trouxe umas sementes do pinhão e me disse que seriam umas das grandes matérias-primas para o bicombustível. Eu plantei, deu certo e hoje tenho cerca de um milhão de mudas da leguminosa”, conta o produtor. Mário destaca dois problemas do cultivo do pinhão manso: A mão-de-obra e as pragas. Ele explica que o cultivo da leguminosa exige um cuidado com a planta e com a colheita. “Você não pode colher de qualquer jeito, tem que ser com cuidado, retirando fruto por fruto, sem derrubar”, detalha o produtor. Quanto às pragas, ele explica que ainda não foram desenvolvidos agrotóxicos específicos para combater as cigarrinhas, ácaros e ferrugem que atingem as mudas. “Eu estou utilizando alguns agrotóxicos de outras plantas, que matam esses insetos, porém sem estragar o pinhão”, afirma. Ao ser questionado se realmente acredita que o óleo retirado do pinhão pode movimentar um de seus veículos no futuro, o produtor é categórico: “Eu tenho certeza de que um dia isso vai dar certo como alternativa ao petróleo. Além disso, no âmbito social, o cultivo dessas leguminosas irá gerar novos empregos, só faltam mais pessoas para investir”, conclui. Mais hectares com novas lavouras Além de plantas que já têm potencial reconhecido e amplamente pesquisado para a produção de biocombustíveis, empresas do setor no estado apresentam trabalhos que revelam que outras culturas, como o crambe, nabo forrageiro e bocaiúva podem ser, futuramente, alternativas interessantes para Mato Grosso do Sul.
Renato Roscoe, consultor da Fundação MS, desenvolve a pesquisa com o crambe desde 1995 e revela que a planta tem uma grande quantidade de óleo armazenada na semente. “Dos 38% de óleo armazenado, nós conseguimos retirar 35% com ajuda de solventes e 25% com a prensagem”, explica o consultor. O óleo extraído do crambe, além de ser matéria-prima para a fabricação do biodiesel, pode ainda ser utilizado como base para a produção de tintas, plásticos e lubrificantes, em razão do grande teor de ácido erúcico, que chega a 60% do total.
O consultor revela também que o nabo forrageiro e o baru são grandes promessas como segunda lavoura (depois da cana e do pinhão manso). “Essas cultivares podem ser utilizadas na produção de tortas – utilizadas como alimentos de animais e adubos para vegetais”. Além disso, Renato destaca a força da bocaiúva, também conhecida como macaúba em algumas regiões. “É possível retirar cerca de 10 mil litros de óleo por hectare desta palmácea (da família das palmeiras). O maior desafio é conservar os recursos naturais e evitar ao máximo a utilização do petróleo, grande emissor de gás carbônico à atmosfera”, conclui. |