
Estudo quer liberar bacia do alto paraguai para implantação de usinas de álcool29/06/2009 às 07:25Pesquisadores alertam para a depredação da natureza que usinas podem causar
Pilar Velásquez
A cana de açúcar é uma das principais produções voltadas ao biocombustível, porém a grande preocupação dos pesquisadores é com a depredação que as usinas sucroalcooleiras podem causar nas regiões sul-mato-grossenses, principalmente no Pantanal. E a discussão sobre a implantação dessas usinas de álcool na bacia do Alto Paraguai, norte de Mato Grosso do Sul, entra de novo em pauta.
Um estudo feito pelo arquiteto Sérgio Yonamine, a pedido do governo do estado, para elaboração do Zoneamento Ecológico-Econômico Estadual – ZEE aponta que a bacia tem condições de receber usinas. O ZEE é feito para analisar a possível produtividade de todas as regiões do estado e assim planejar investimentos. O relatório, que pode ser encontrado no site http://www.semac.ms.gov.br/zeems/, ainda precisa passar pelo governador André Puccinelli e só depois segue para votação na Assembléia. No entanto este é um debate antigo que divide opiniões.
Pesquisadores afirmam que os rios que cortam o Pantanal, um dos maiores biomas mundiais, nascem no planalto, na Bacia do Alto Paraguai, e por isso sofreriam impactos ambientais com a implantação de usinas. Existem várias formas de poluição através da produção do biocombustivel. Cada litro de álcool produzido gera em torno de 12 a 15 litros de vinhoto, que pode contaminar rios e o solo, se não for manipulado corretamente.
A engenheira química Sônia Hess explica que na Bacia do Paraná, onde as águas correm rápidas, caso aconteça um vazamento, o produto será logo diluído. Mas na Bacia do Paraguai o fluxo das águas é lento, por isso o dano será muito maior, podendo destruir um ecossistema. “O Pantanal pode levar muito tempo para se recuperar” afirma Sônia. “O investimento em novos sistemas de segurança é grande nas usinas, mas todo sistema falha em algum momento”, completa a pesquisadora.
A ONG Ecologia e Ação – ECOA também trabalha contra a implantação de usinas na bacia do Alto Paraguai. Para a pesquisadora Ângela Frata, é importante a criação de novas fontes de energia, principalmente renováveis, mas isso deve ser feito de forma sustentável. Sônia lembra que em 2003 houve um acidente na Usina Santa Olinda, em Sidrolândia (MS), quando resíduos liberados poluíram a água dos córregos Canastrão e Cachoeirã e causaram a morte de peixes. Foi identificada na água a presença de resíduos orgânicos, que consumiram parte do oxigênio, e ainda fósforo e nitrogênio, liberados entre os efluentes da usina de álcool. Para a organização o desastre ecológico só não foi maior porque o vazamento ocorreu em uma usina de pequeno porte.
Outro exemplo de que acidentes acontecem foi a mortandade de peixes no Rio Jaboatão, causada por um vazamento no tanque de contenção de vinhoto da Usina Bulhões, em Recife. Sônia Hess finaliza dizendo que qualquer indústria de biocombustiveis é uma indústria química e corre o risco de liberar produtos químicos para o ecossistema, por isso não pode ser instalada na fonte dos rios pantaneiros.
Conheça pesquisas sobre a produção da cana de açúcar do ECOA e da engenheira química Sônia Hess. |