


Perspectivas para a pesquisa rural de Mato Grosso do Sul24/08/2009 às 21:19Profissionais da área relatam dificuldades da pesquisa rural no Estado
Renan Kubota e Vinícius Squinelo Na saída para Rochedo, Rodovia MS 80 km 10, encontra-se o Centro de Pesquisa e Capacitação da Agraer (Cepaer). Com uma grande sede, que conta com refeitório e um hotel de trânsito, a Cepaer é o órgão público estadual com a responsabilidade de desenvolver novas tecnologias e culturas para o meio rural e, posteriormente, auxiliar os produtores de Mato Grosso do Sul no uso desses novos meios. A Cepaer, aprovada e regulamentada pelo Decreto Estadual nº 12.312 de 11 de maio de 2007, é um dos órgãos de Gerência Executiva da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer). Diferentemente da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – a Cepaer tem como finalidade um trabalho mais voltado para o pequeno produtor, para a agricultura familiar e para culturas locais. O pesquisador do Centro, Tércio Fehlauer relata que a Cepaer “busca maior contato com o produtor, com suas sociedades, procurando integrar mais o pesquisador com o produtor local”. Tércio é mestre em Agrossistema pela Universidade Federal de Santa Catarina, e mantém um projeto com os índios Terena e Kadiwéu, na região da Serra da Bodoquena, que busca o aproveitamento dos frutos locais para alimentação da própria comunidade. Dificuldades Apesar de toda estrutura da Cepaer em Campo Grande, os pesquisadores encontram diversos obstáculos para agilizar seus trabalhos, já por natureza muito demorados (alguns projetos chegam a durar mais de quinze anos). “Falta muita mão-de- obra braçal para ajudar a gente aqui no centro. Existe ausência de profissionais para trabalharem a terra, usar o maquinário; arar, colher”, relata o pesquisador Antonio Ayrton Morcelli, ao relatar a ausência de serviços necessários para dar suporte às pesquisas. “O espaço aqui no centro é grande, mas falta gente para trabalhar a terra”, comenta Morcelli. Fato comprovado por outro funcionário do Centro, Ari Fialho Ardenghi, mestre em física de solo, que afirma: “mão de obra no mercado sempre tem, o que falta mesmo é dinheiro para contratar essa mão-de-obra”. E o problema de como arrecadar verbas para os projetos é grande. A maioria do dinheiro provém do Governo Federal e seus ministérios. O projeto do pesquisador Tércio Fehlauer é financiado pelo CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), e pelo MMA – Ministério do Meio Ambiente. Baru Outro projeto desenvolvido por um pesquisador da Cepaer, Arceley Lopes Bambil, é referente ao processamento do baru (árvore da família das leguminosas), que também recebe verbas federais, através do CNPQ e do MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário. O problema relatado por Arceley é a relação Pesquisador – Extensionista Rural (profissional responsável por dar apoio técnico e ajudar o produtor, demonstrando inovações e formas diferenciadas de trabalho) no Estado. “É muito complicada essa relação. Os extensionistas aqui em Mato Grosso do Sul ainda não possuem um preparo suficiente para nos ajudar mais e essa é uma das maiores dificuldades da pesquisa”. Tércio Fehlauer enfatiza a “dificuldade das Instituições, sejam elas a própria Cepaer ou outras – como as universidades, em levar em conta particularidades de sociedades locais”, fato que muitas vezes entrava o andamento dos projetos. “Não existem pesquisas locais. Os órgãos aplicam as mesmas técnicas de trabalho tanto em uma aldeia Kadwéu como em um assentamento”. Antonio Morcelli aponta ainda a resistência de produtores tradicionais com a ação dos pesquisadores. “Muitas vezes a gente não consegue trabalhar com o produtor, às vezes ele resiste muito à implantação de novas tecnologias e formas de trabalho”, conclui. Foto: Cátia Braga |