31/08/2009 às 08:00

Kaká Fenandez
A pesquisa científica no Brasil, e especificamente em Mato Grosso do Sul já passou por diversas fases, do descaso total, da falta de investimento à pujança de resultados e aplicações. No caso da pesquisa rural no estado podemos destacar o Centro de Pesquisa e Capacitação da Agraer Cepaer.
Antes o antigo orgão Empaer – depois Idaterra – era empresa pública. Os funcionários e pesquisadores podiam ser contratados sem a necessidade de concursos públicos, dessa maneira a diversidade e rapidez das pesquisas eram maiores. Com os diferentes governos estaduais, seus diversos enfrentamentos e com a desculpa de não haver mais funcionários contratados , apenas concursados nos diversos órgãos do estado, essa rapidez foi perdida.
A Agraer, e mais especificamente a Cepaer passa hoje por dificuldades na continuidade de suas atividades. A falta de mão-de-obra braçal e de recursos torna cada vez mais dificultosas as pesquisas, que tem por objetivo ajudar na economia do estado através do crescimento do pequeno produtor.
Com o lema “Governar é construir estradas”, o presidente Washington Luís, apesar de ridicularizado por seus contemporâneos, deixou um legado para as futuros governantes. Seguido à risca muitas vezes por vários governos, não por vontade de integrar as cercanias, mas por saber que estradas e ruas são um ótimo cabo eleitoreiro.
Já para Ari Fialho, pesquisador da Cepar, com mestrado em Física dos Solos, com seu projeto de Manejo de Águas Pluviais, ou seja a conservação do solo e das águas, a história é outra. Com ênfase no manejo da água em vias rurais, tanto para conservar as estradas como para o final aproveitamento da água da chuva, Fialho desenvolve esse projeto há 15 anos, mas somente há cinco está conseguindo implantá-lo dentro do próprio órgão onde é lotado.
Ari destaca que a dificuldade está na mudança da mentalidade de quem manda. Enquanto que construir vias belas nas regiões urbanas atrai votos, conservar as vias rurais e os recursos naturais, não.
Um exemplo dos prejuízos causados por essas mentalidades, são a escassez de água, por um lado e as enchentes em grandes centros urbanos, por outro, também já experimentada na Capital Morena há alguns anos. Em Nova York, esse problema foi sanado com uma solução inteligente.
Uma bacia hidrográfica, cerca de 200km da cidade, serve hoje de fonte de abastecimento da região, sem que com isso se diminua a vazão de seus leitos ou a qualidade da água.
Para tanto governo e proprietários rurais de terrenos lindeiros – vizinhos – à bacia entraram em um acordo, no qual em troca de incentivos financeiros por parte do governos, os proprietários se utilizariam de forma sustentável da bacia, podendo ela assim servir de fonte de água para a Big Apple.
Fialho tenta há anos uma parceria com o governo para o aprimoramento dessa iniciativa aqui no estado. Em vão. Enquanto as diferenças políticas, os pretextos eleitoreiros e o descaso com os recursos naturais e hídricos forem adiante, não se pode vislumbrar iniciativas que saiam do campo da pesquisa para o campo do aproveitamento humano.
Tanto o descaso quanto o mau aproveitamento dos recursos públicos em pesquisas que desenvolvam o estado, são vilões que hão de se fazer presentes.
Se a Cepaer hoje, um orgão de pesquisa que clama por visibilidade e atenção, sofre pelo abandono, pequenos produtores e sociedade civil ainda estão longe de desfrutar dos benefícios que a plenitude das pesquisas científicas venham lhe proporcionar.
É sobre esse quadro que se entende que governar não é construir estradas. Governar é construir pontes entre o conhecimento e o campo, entre o que se sabe e o que se aplica. Governar é construir cidadania.
Kaká Fenandez
A pesquisa científica no Brasil, e especificamente em Mato Grosso do Sul já passou por diversas fases, do descaso total, da falta de investimento à pujança de resultados e aplicações. No caso da pesquisa rural no estado podemos destacar o Centro de Pesquisa e Capacitação da Agraer Cepaer.
Antes o antigo orgão Empaer – depois Idaterra – era empresa pública. Os funcionários e pesquisadores podiam ser contratados sem a necessidade de concursos públicos, dessa maneira a diversidade e rapidez das pesquisas eram maiores. Com os diferentes governos estaduais, seus diversos enfrentamentos e com a desculpa de não haver mais funcionários contratados , apenas concursados nos diversos órgãos do estado, essa rapidez foi perdida.
A Agraer, e mais especificamente a Cepaer passa hoje por dificuldades na continuidade de suas atividades. A falta de mão-de-obra braçal e de recursos torna cada vez mais dificultosas as pesquisas, que tem por objetivo ajudar na economia do estado através do crescimento do pequeno produtor.
Com o lema “Governar é construir estradas”, o presidente Washington Luís, apesar de ridicularizado por seus contemporâneos, deixou um legado para as futuros governantes. Seguido à risca muitas vezes por vários governos, não por vontade de integrar as cercanias, mas por saber que estradas e ruas são um ótimo cabo eleitoreiro.
Já para Ari Fialho, pesquisador da Cepar, com mestrado em Física dos Solos, com seu projeto de Manejo de Águas Pluviais, ou seja a conservação do solo e das águas, a história é outra. Com ênfase no manejo da água em vias rurais, tanto para conservar as estradas como para o final aproveitamento da água da chuva, Fialho desenvolve esse projeto há 15 anos, mas somente há cinco está conseguindo implantá-lo dentro do próprio órgão onde é lotado.
Ari destaca que a dificuldade está na mudança da mentalidade de quem manda. Enquanto que construir vias belas nas regiões urbanas atrai votos, conservar as vias rurais e os recursos naturais, não.
Um exemplo dos prejuízos causados por essas mentalidades, são a escassez de água, por um lado e as enchentes em grandes centros urbanos, por outro, também já experimentada na Capital Morena há alguns anos. Em Nova York, esse problema foi sanado com uma solução inteligente.
Uma bacia hidrográfica, cerca de 200km da cidade, serve hoje de fonte de abastecimento da região, sem que com isso se diminua a vazão de seus leitos ou a qualidade da água.
Para tanto governo e proprietários rurais de terrenos lindeiros – vizinhos – à bacia entraram em um acordo, no qual em troca de incentivos financeiros por parte do governos, os proprietários se utilizariam de forma sustentável da bacia, podendo ela assim servir de fonte de água para a Big Apple.
Fialho tenta há anos uma parceria com o governo para o aprimoramento dessa iniciativa aqui no estado. Em vão. Enquanto as diferenças políticas, os pretextos eleitoreiros e o descaso com os recursos naturais e hídricos forem adiante, não se pode vislumbrar iniciativas que saiam do campo da pesquisa para o campo do aproveitamento humano.
Tanto o descaso quanto o mau aproveitamento dos recursos públicos em pesquisas que desenvolvam o estado, são vilões que hão de se fazer presentes.
Se a Cepaer hoje, um orgão de pesquisa que clama por visibilidade e atenção, sofre pelo abandono, pequenos produtores e sociedade civil ainda estão longe de desfrutar dos benefícios que a plenitude das pesquisas científicas venham lhe proporcionar.
É sobre esse quadro que se entende que governar não é construir estradas. Governar é construir pontes entre o conhecimento e o campo, entre o que se sabe e o que se aplica. Governar é construir cidadania.
Kaká Fenandez
A pesquisa científica no Brasil, e especificamente em Mato Grosso do Sul já passou por diversas fases, do descaso total, da falta de investimento à pujança de resultados e aplicações. No caso da pesquisa rural no estado podemos destacar o Centro de Pesquisa e Capacitação da Agraer Cepaer.
Antes o antigo orgão Empaer – depois Idaterra – era empresa pública. Os funcionários e pesquisadores podiam ser contratados sem a necessidade de concursos públicos, dessa maneira a diversidade e rapidez das pesquisas eram maiores. Com os diferentes governos estaduais, seus diversos enfrentamentos e com a desculpa de não haver mais funcionários contratados , apenas concursados nos diversos órgãos do estado, essa rapidez foi perdida.
A Agraer, e mais especificamente a Cepaer passa hoje por dificuldades na continuidade de suas atividades. A falta de mão-de-obra braçal e de recursos torna cada vez mais dificultosas as pesquisas, que tem por objetivo ajudar na economia do estado através do crescimento do pequeno produtor.
Com o lema “Governar é construir estradas”, o presidente Washington Luís, apesar de ridicularizado por seus contemporâneos, deixou um legado para as futuros governantes. Seguido à risca muitas vezes por vários governos, não por vontade de integrar as cercanias, mas por saber que estradas e ruas são um ótimo cabo eleitoreiro.
Já para Ari Fialho, pesquisador da Cepar, com mestrado em Física dos Solos, com seu projeto de Manejo de Águas Pluviais, ou seja a conservação do solo e das águas, a história é outra. Com ênfase no manejo da água em vias rurais, tanto para conservar as estradas como para o final aproveitamento da água da chuva, Fialho desenvolve esse projeto há 15 anos, mas somente há cinco está conseguindo implantá-lo dentro do próprio órgão onde é lotado.
Ari destaca que a dificuldade está na mudança da mentalidade de quem manda. Enquanto que construir vias belas nas regiões urbanas atrai votos, conservar as vias rurais e os recursos naturais, não.
Um exemplo dos prejuízos causados por essas mentalidades, são a escassez de água, por um lado e as enchentes em grandes centros urbanos, por outro, também já experimentada na Capital Morena há alguns anos. Em Nova York, esse problema foi sanado com uma solução inteligente.
Uma bacia hidrográfica, cerca de 200km da cidade, serve hoje de fonte de abastecimento da região, sem que com isso se diminua a vazão de seus leitos ou a qualidade da água.
Para tanto governo e proprietários rurais de terrenos lindeiros – vizinhos – à bacia entraram em um acordo, no qual em troca de incentivos financeiros por parte do governos, os proprietários se utilizariam de forma sustentável da bacia, podendo ela assim servir de fonte de água para a Big Apple.
Fialho tenta há anos uma parceria com o governo para o aprimoramento dessa iniciativa aqui no estado. Em vão. Enquanto as diferenças políticas, os pretextos eleitoreiros e o descaso com os recursos naturais e hídricos forem adiante, não se pode vislumbrar iniciativas que saiam do campo da pesquisa para o campo do aproveitamento humano.
Tanto o descaso quanto o mau aproveitamento dos recursos públicos em pesquisas que desenvolvam o estado, são vilões que hão de se fazer presentes.
Se a Cepaer hoje, um orgão de pesquisa que clama por visibilidade e atenção, sofre pelo abandono, pequenos produtores e sociedade civil ainda estão longe de desfrutar dos benefícios que a plenitude das pesquisas científicas venham lhe proporcionar.
É sobre esse quadro que se entende que governar não é construir estradas. Governar é construir pontes entre o conhecimento e o campo, entre o que se sabe e o que se aplica. Governar é construir cidadania.
Fonte da Foto: http://satelite.cptec.inpe.br/PCD/img/mapa_MS.jpg