Ciência e Notícia

Universidade Federal de MS

Equipamento ajuda a extrair a castanha do Baru

31/08/2009 às 08:15

O fruto também conhecido como Cumbaru, tem um alto valor nutricional e começa a ser explorado no interior do Estado

Castanha do Barú ou Cumbaru


Renan Kubota

A Cepaer (Centro de Capacitação e Pesquisa), órgão ligado à Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural), está desenvolvendo pesquisa sobre técnicas para processar o baru no assentamento São Manuel, localizado no município de Anastácio – MS.

Baru ou cumbaru, como é conhecido no Estado, é uma árvore frondosa que produz um fruto amarronzado.

A pesquisa, que é coordenada pelo pesquisador Arceley Lopes Bambil, recebe verbas federais oriundas do CNPQ e do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

O projeto é de cunho participativo e tem como objetivo desenvolver equipamentos para separar a castanha da polpa e do endocarpo (região do fruto que protege a semente). A execução da pesquisa teve início em fevereiro deste ano. “Nestes primeiros meses estamos trabalhando a parte de organização, pois a pesquisa participativa exige que se faça um trabalho com a comunidade que se vai trabalhar, como por exemplo, uma série de reuniões, apresentação do projeto e obter a concordância da comunidade”. Explica Arceley.

Pesquisas participativas são mais eficientes por proporcionarem um maior engajamento do pesquisador com a realidade. De acordo com Bambil quando se desenvolve uma pesquisa tecnológica na Cepaer e aleva para o agricultor, o resultado pode não ser satisfatório, devido à diferença de realidade. Por isso ele prefere trabalhar com a anuência da comunidade aproveitando os conhecimentos da mesma.

Para dar início aos trabalhos, após a aprovação do CNPQ é assinado um contrato, na qual a comunidade participante se compromete com a pesquisa. Depois disso o órgão libera os recursos para colocar o projeto em prática “no nosso projeto trabalhamos com 25 agricultores e quatro pesquisadores”, diz Arceley. Esses pesquisadores esclarecem e orientam os agricultores, no controle de pragas, como se deve plantar, tempo de vida e reprodução das culturas.

Tecnologia

O equipamento desenvolvido pelo pesquisador consiste em uma modificação de uma betoneira, que é um equipamento utilizado para misturar o concreto nas construções.

Segundo Arceley as principais alterações na máquina são o aumento da rotação do tambor e a instalação de uma superfície rugosa que seja capaz de lixar o fruto. “Os frutos são colocados na betoneira junto com água e são processados, separando a polpa do endocarpo”, explica.

Por enquanto essa mistura aquosa da polpa do baru é aproveitada como alimento para suínos, mas de acordo com o pesquisador “se construirmos uma betoneira de inox pode-se aproveitar a polpa do baru na alimentação humana”.

No futuro, Arceley quer deixar de lado a betoneira e construir um aparelho, que utilize um tambor metálico. “Dessa forma o custo desse equipamento para processar o baru ficaria mais acessível”, esclarece

Características nutricionais

O baru é uma fruta típica do cerrado ele é marrom, de casca fina, com cerca de 5 cm de comprimento, produzido pelo baruzeiro nos meses de setembro a outubro. De acordo com estudo da bióloga da Embrapa – Centro de Pesquisa Agropecuária dos Cerrados (CPAC), Sueli Matiko Sano, (encontrado no site: http://www.scielo.br/pdf/%0D/pab/v34n4/8677.pdf.), esse fruto envolve uma amêndoa dura e comestível, de sabor parecido com o do amendoim.

Diz a pesquisadora que o baru apresenta uma multiplicidade de usos e em muitas propriedades do cerrado essas árvores são mantidas nas pastagens. Na época da seca, a polpa do fruto é consumida pelo gado bovino.

O baru possui alto teor de fibra é rica em açúcar, potássio, cobre e ferro e pode ser utilizada para ração. “A amêndoa, apreciada como alimento humano, é rica em óleo insaturado, proteína, cálcio e fósforo, assemelhando-se ao amendoim”, relata a pesquisadora Sueli.

O fruto apresenta alto valor nutricional, com cerca de 26% de teor de proteínas, o que o coloca acima do coco-da-bahia em termos nutritivos. O baruzeiro pode chegar até 25 metros de altura, proporcionando amplas sombras. Sua madeira é resistente a fungos e tais características fazem dela alvo de grande procura para a construção.

Fonte da Foto: http://segredosdocerrado.files.wordpress.com/2008/02/img_1923.jpg

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