
Alternativas de agronegócios para o pequeno produtor rural07/09/2009 às 08:10
José Carlos Prado A AGRAER/CEPAER desenvolve pesquisas científicas que visam encontrar as melhores alternativas de uso da terra e produtos mais adequados à economia rural do estado, tanto em facilidade de manejo/trabalho quanto em produtividade e lucros, de forma a garantir boa rentabilidade ao homem do campo, tornando a atividade rural atrativa em sua execução e prazerosa em seus resultados. O pesquisador Antônio Morcelli tem atuado como articulador do intercâmbio de processos e trabalhos de pesquisas desenvolvidas pela AGRAER e Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA, principalmente na busca recursos financeiros que financiem a criação de pólos de culturas de variedades oleaginosas adequadas à produção de biodiesel. O objetivo final é o desenvolvimento de alternativas de agronegócios que sustentem o pequeno produtor rural no campo. Os trabalhos já têm sido desenvolvidos em alguns assentamentos rurais como os de Itaquiraí, da Fazenda Itamarati, e Sidrolândia. Também alguns produtores rurais tradicionais – remanescentes dos assentamentos colonizadores da época de Getúlio Vargas, na década de 40, do século passado – na região de Fátima do Sul. Diversidade genética As variedades que estão sendo pesquisadas, atualmente, são a canola, o crâmbi e o nabo forrageiro (todos da família brassica oleracea, como a couve e o repolho). Outras duas pesquisas são com o cártamo (da mesma família do girassol) e o popular amendoim. Porém, a variedade campeã em tempo de experimentação científica é o pinhão-manso, uma “irmã” da mamona. Há oito anos desenvolvendo estudos com a variedade, apenas nos últimos quatro anos o pesquisador tem alcançado resultados satisfatórios quanto aos níveis de excelência pretendidos. A dificuldade maior é que já não existe variedade pura, para dela se partir para os cruzamentos. Todas as amostras conhecidas, segundo Morcelli, são produtos de miscigenação (heterose). Porém, pelos resultados já alcançados, sabe-se que o pinhão-manso é bom para a produção de biodiesel, além de fornecer, como subprodutos, uma “torta” que pode ser tratada para entrar na composição de ração para animais, ou, ainda, ser usada como adubo orgânico. Morcelli lamenta que grande parte das dificuldades que encontra é em relação à área que cada família dispõe para a aplicação do projeto, já que os módulos agrários medem entre sete e, no máximo, 30 hectares. Subtraindo as parcelas destinadas a moradia e criações de animais domésticos (aves, suínos, etc.), mais as reservas, sobra muito pouco terreno para viabilizar uma exploração perene e lucrativa. De acordo com o que percebe na sua lida com o pequeno agricultor, este só permanecerá no campo se sua atividade alcançar a melhoria do padrão de vida, para si e para seus familiares. A voz dos produtores Ouvindo produtores rurais dos assentamentos, confirma-se a distância entre a teoria e a prática nessa questão de apoio dos governos e seus órgãos de fomento da pesquisa e desenvolvimento rural e, por extensão, ao pequeno produtor. Enquanto os pesquisadores, como Morcelli, se desdobram em “frentes de batalhas” para garantir recursos que viabilizem a continuação dos estudos e o estabelecimento do projeto, na prática, lá no campo, aqueles que seriam os beneficiários primeiros e diretos desses avanços científicos permanecem alheios a isso, sobrevivendo com a chamada agricultura de subsistência. João, um assentado de Sidrolândia, declara, sem rodeios: “Não tem projeto nenhum não! A gente não tem assistência técnica. No papel a gente sabe de muitos projetos, de muitas ações do governo. Na prática, não conheço nenhuma.” Plantador de quiabo, reclama que tudo é muito difícil, pois não recebeu apoio oficial nenhum depois que tomou posse do seu lote agrário. Outros trabalhadores assentados, que não quiseram dizer seus nomes, fizeram as mesmas críticas. Especificamente, sobre projetos de desenvolvimento de plantio de oleaginosas para a produção de biodiesel, disse desconhecer qualquer conversa sobre o isso, no assentamento. E que, do seu lote de 12 hectares, só sobram nove para plantar. “Só se for consorciado com os vizinhos, para valer à pena”, justifica. “Aliás, lá do outro lado, tem uns trinta companheiro, que se ajuntaro pra prantá cana pra usina. Tão com duas safra coída e entregue, mas num recebero nada ainda”(sic), esbraveja, o assentado de Sidrolândia, em seu linguajar simples. Ainda o “seu” João usa esse exemplo do plantio da cana para condenar a falta de apoio oficial na hora de o agricultor familiar vender sua produção ao mercado. Conforme sua informação, todo sistema de comercialização é manipulado pelo atravessador que se coloca entre o produtor e as centrais de comercialização. E, que esse personagem indesejado fica com 40% do preço da mercadoria. “De cada dez, eu só recebo seis”, conclui. |