07/09/2009 às 08:00

Kaká Fernandez
Popularmente os moradores de Campo Grande são chamados de “comedores de mandioca”. Não se sabe ao certo de onde surgiu a expressão para intitular os habitantes da Cidade Morena, mas há de se convir, a mandioca aqui é realmente muito apreciada.
Da família Monihot, a mandioca, macaxeira ou aipim é muito cultivada no oeste brasileiro, mais precisamente o sul da Amazônia, pantanal e cerrado, mas já na chegada dos colonizadores portugueses a mandioca era consumida até na região da Mesoamérica, que compreende México e Guatemala.
Das diversas variedades da planta, dividem-se em dois grupos, comumente chamados de mandioca-doce e mandioca-brava. Desses, a doce ou de mesa é a consumida na alimentação, feita cozida ou frita, já a brava ou industrial é utilizada no preparo das farinhas de mandioca. Base alimentar de diversas culturas, espalhada por todo o mundo e em especial pela África, a mandioca é uma iguaria bastante consumida no estado de MS.
Pensando no aprimoramento da plantação, comercialização e consumo da raiz, na Cepaer (Centro de Capacitação e Pesquisa), órgão da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural – MS) o pesquisador Adair de Oliveira, mestre em Fitotecnia pela UNESP, desenvolve há um ano, a pesquisa em Produção e Tecnologia de sementes, plantas de cobertura e mandioca.
A pesquisa é desenvolvida com recursos do CNPq e alguns oriundos do PAC – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico & Programa de Aceleração do Crescimento respectivamente.
Desenvolvida nas cidades de Anastácio, Bonito, Ivinhema e Campo Grande, a pesquisa atende, segundo Oliveira, as necessidades do produtor rural. Além de pesquisar o aprimoramento das mandiocas de mesa e industrial (a segunda já com resultados para produção de farinha).
A pesquisa ainda busca relacionar o manejo da mandioca e consórcio com adubos verdes (plantas como o feijão guandu, a mucunha preta e o feijão de porco) e a cobertura para recuperação e fixação do nitrogênio no solo, melhorando a sua capacidade de receber novas plantações.
Além disso, faz o monitoramento da mosca branca, praga que, oriunda do feijão, passou a atacar também a mandioca. A Pesquisa é desenvolvida em conjunto com os pesquisadores Dra. Mariana Zatarini e Izaías de Oliveira, este lotado em Anastácio.
Aqui plantando, tudo dá – a não ser Recursos e Comunicação
Apesar dos recursos, segundo Adair de Oliveira, muito escassos, faltam ainda outros pontos importantes para o aprimoramento não só desta como de outras pesquisas de extensão rural. Adair destaca que houve um decréscimo na produção, decorrente das diversas mudanças no orgão, com os mandatos dos diversos governos estaduais – primeiramente Empaer, passou a ser Idaterra e agora Agraer – causando uma descontinuidade dos trabalhos e com isso uma diminuição na capacidade de produção.
Oliveira diz ainda, que apesar de as pesquisas obterem resultados atrativos e aumento da produção e comercialização de diversos produtos, a falta de um grupo de comunicação científica lotado no próprio orgão dificulta, até mesmo impossibilita, a publicação e divulgação das pesquisas para a sociedade.
Essa dificuldade se dá, também, pela falta de recursos para concursos na área específica de comunicação. Além disso, a escassez de investimentos impede a contratação de comunicadores nos editais de pesquisa.
Ainda com todos esses problemas, a pesquisa da produção de mandioca deve dar frutos muito em breve. Frutos, ou melhor, raízes, que chegarão ao prato dos comedores de mandioca.
Fonte da foto: http://www.iac.sp.gov.br/UniPesquisa/Horticultura/Imagens/mandioca.jpg