
Benefícios do uso de biocombustíveis: a natureza agradece29/06/2009 às 07:30
Ao contrário do que tem sido dito, usar biocombustíveis resultará num grande alívio para a natureza, principalmente no que diz respeito ao aquecimento global
![]() O CICLO DE ABSORÇÃO DO GÁS CARBÔNICO PELA CANA-DE-AÇÚCAR
Fernanda Ellen Dentre as diversas e polêmicas questões acerca do uso de biocombustíveis em lugar dos combustíveis fósseis (derivados de carvão, gás natural, petróleo), aquelas relacionadas aos impactos ambientais são as mais comentadas. Para alguns especialistas, a substituição pode minimizar estes impactos, pois reduzirá a emissão de gases tóxicos à atmosfera. Já outros, dizem que a poluição aumentará, os recursos hídricos serão ameaçados e a produção de alimentos será diminuída, entre outros.
Para o presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul, Roberto Hollanda, tudo isso não passam de informações precipitadas e infundadas. “Para que uma usina de cana-de-açúcar se instale, é necessário um detalhado estudo de impacto ambiental. A planta só é liberada para instalação depois de avaliados esse e outros diversos impactos”, explicou ele.
Por um planeta menos quente A adoção dos biocombustíveis é considerada uma das melhores opções para a redução do efeito estufa e do conseqüente aquecimento global. Isto porque um dos principais GEE (Gases do Efeito Estufa) é o dióxido de carbono (CO2), e o ciclo completo de uso do etanol, por exemplo, desde a colheita até o uso final, se comparado com a gasolina, representa uma redução de 89% na emissão deste gás.
A informação de que a emissão de gases pode aumentar porque há desmatamento de áreas para plantar as culturas com as quais se produz biocombutível também não é correta, pois há a substituição do vegetal cultivado. “Durante o ciclo de crescimento, as plantas absorvem mais gás carbônico, o que reduz ainda mais as emissões. Vale ressaltar que o crescimento de nosso setor se dá de acordo com uma das legislações mais rígidas do planeta. Há que se ter reservas legais de matas nativas, áreas de preservação permanente. E isso é de nosso interesse”, esclareceu Hollanda.
Cana: um importante aliado
O setor de geração de energia é o que mais contribui para a emissão dos GEE. Se a economia mundial crescer conforme o esperado até 2030, a demanda por energia deverá crescer 57%, aumentando também o consumo de combustíveis fósseis, segundo a U.S. Energy Information Administration. Mais uma vez, a utilização de biocombustíveis é uma estratégia, visto que o etanol, por exemplo, pode ser misturado à gasolina ou também administrado de forma exclusiva. Além disso, este combustível, produzido no Brasil através da cana-de-açúcar poderá, num futuro breve, ser produzido também a partir do bagaço e da palha da cana, aumentando ainda mais sua produtividade. É importante lembrar também que a cana-de-açúcar é uma matéria-prima renovável, de crescimento rápido e com alto poder de fixação de CO2 durante a fotossíntese.
“O prazo de estabilização de emissões até um nível razoável para o nosso planeta é uma incógnita, porque depende de múltiplos cenários de neutralização das emissões dos GEE. Mas uma coisa é certa, quanto mais se usar o etanol, mais rápido chegaremos lá”, confia Hollanda. As conseqüências do uso de combustíveis fósseis para o aquecimento global já são amplamente conhecidas, mostrando-os insustentáveis. Hoje em dia, não há mais espaço para empresas que não se preocupam com o meio ambiente e seus dilemas. Investimentos em pesquisa e desenvolvimento, para criação de novas tecnologias, e criação de políticas públicas voltadas para a redução dos GEE devem ser exigidos pela sociedade.
O Brasil não deve desperdiçar seu potencial bioenergético, principalmente em relação ao etanol, já que é referência mundial no cultivo, na industrialização e na substituição da gasolina. “Temos visto nosso produto associado erroneamente a muitos impactos negativos, falando que vamos destruir a Amazônia ou até o Pantanal, duas regiões que nem são sequer apropriadas ao cultivo da cana. Estes discursos – muitas vezes propositalmente falsos – pretendem anular nossa competência no assunto”, lamenta Hollanda.
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