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Universidade Federal de MS

UFMS divulga pesquisa que ajuda na preservação das águas

06/07/2009 às 15:57

Automação do medidor: conhecendo o que a planta sente

Automação do medidor: conhecendo o que a planta sente

Jovana Somensi

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), mais de um bilhão de pessoas não tem acesso à água potável. Já a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), afirma que 73% do consumo de água corresponde à irrigação.

Dentro desse contexto, o Laboratório de Inteligência Artificial, Eletrônica de Potência e Eletrônica Digital da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Batlab, que é o centro de inteligência e tecnologia da UFMS, e reúne uma equipe de engenheiros, químicos e físicos para produzir avanços tecnológicos para a sociedade e desenvolve, há três anos, o primeiro Sistema de Monitoramento online (automaticamente) e in vivo (com as plantas vivas) de análise de Perda Fotoquímica em plantas.

A idéia do projeto, segundo o engenheiro eletricista Rene Alfonso Capitano, que desenvolveu o processo de automação do aparelho, é melhorar as condições de irrigação de precisão: “Você vai dar a água na quantidade que a planta precisa, nada mais nada menos”, afirma.

Monitorando o que a planta sente

O projeto nasceu por iniciativa do professor Mauro Henrique de Paula, do departamento de física da UFMS, que desenvolveu um sensor para medir os processos que a planta realiza quando exposta à luz.

Por meio de dois raios lasers, com freqüências e potências diferentes, o sensor consegue medir como a planta está reagindo às condições de nutrientes e água do solo. “Através desse aparelho, nós conseguimos saber o que a planta está sentindo. É o BBB das plantas: elas não falam, mas conversam com a gente”, brinca Rene.

A grande vantagem do sistema atual é que consegue fazer essas medições sem a presença humana. Através dos softwares desenvolvidos por Rene, e de programas de computador, o processo de monitoração é feito e arquivado automaticamente. “Nós podemos monitorar a planta, sem matá-la, por 24 horas. Não existe no mundo um sistema igual.”, diz.

Um projeto Sustentável

A agricultura irrigada tem sido apontada como o futuro na produção de alimentos. A crescente demanda, além da necessidade de renovação das águas, traz a urgência de processos tecnológicos de avanço, e conscientização dos produtores e das fábricas de insumos agrícolas.

Para Rene, a produção de alimentos representa o futuro. “Ninguém existe sem comida. Podemos viver sem roupa, sem petróleo, mas sem água e sem comida não. Há escassez de alimentos e intempéries climáticas, falta água. Se você otimizar esse processo, você tem o ganho tecnológico valioso. Vale a pena investir nisso”, defende.

Além do ganho na economia de água, Rene cita mais fatores que tornam o Monitor um amenizador de impacto para o meio ambiente. O primeiro deles é poupar energia. “Se você necessitar, para irrigar o solo, de energia hidrelétrica, de concessionária, diminuindo o uso de água você economiza também essa energia”, argumenta Rene.

Há também o dispêndio de combustíveis, no uso, por exemplo, de motores a diesel. “Você tem que bombear a água para o pivô, esse motor vai funcionar menos se você souber quanto tempo ele tem que ficar ligado. Além da questão dos poluentes que ele joga no meio ambiente”.

Quem apóia a ecologia

Rene conta que, em principio, para montar e comprar o aparelho de automação, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) deu suporte financeiro, mas hoje em dia o projeto é mantido por pesquisadores voluntários.

Além deles, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) fornece suporte na interpretação biológica dos dados. O papel da empresa é de oferecer as plantas, soluções químicas que simulam os solos e entender o que os resultados de cada medição significam para as plantas.

A equipe de biólogos, ecologistas, botânicos e quaisquer outros estudiosos da UFMS que poderiam participar desse projeto não manifestaram interesse. Rene acredita que essa falta de diálogo entre os pesquisadores atrasa o avanço das pesquisas, em especial as de intercâmbio entre áreas, mas afirma que o Batlab está aberto para receber quem tiver anseio por ajudar.

O engenheiro acredita que quando o Sistema for lançado no mercado, outras empresas terão interesse em adquirir, e aposta que é um projeto comercial bastante atraente, por ser único no mercado mundial. “Estamos em fase de aperfeiçoamento, mas temos interesse em comercializar o equipamento, sim”, finaliza.

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