Ciência e Notícia

Universidade Federal de MS

Saiba Sobre Sustentabilidade Empresarial

06/07/2009 às 16:15

Na década de 90, o ambiente industrial brasileiro passou a incorporar os procedimentos de reciclagem, prevenção de poluição e outras preocupações com passivos ambientais, dentro do modelo de comando e controle. Passivos ambientais significam os danos causados ao meio ambiente, representando, assim, a obrigação, a responsabilidade social da empresa com aspectos ambientais.

Entretanto, o crescimento significativo do consumo e a pressão da demanda para aumento da produção provocaram o aumento dos resíduos, sejam eles sólidos, líquidos ou emissões gasosas. São parte das matérias-primas desperdiçadas nas etapas de produção e que, além de prejuízos econômicos, acarretam consequências desastrosas e, muitas vezes, irreparáveis ao meio ambiente.

Nesse contexto, desenvolveu-se um novo comportamento produtivo, que aproveita ao máximo as matérias-primas utilizadas no processo, evitando a geração dos resíduos, que se designou Produção Mais Limpa. Por meio da P+L é possível observar a maneira como a produção esta sendo realizado e detectar em quais etapas deste processo as matérias-primas estão sendo desperdiçadas. Isso permite melhorar o seu aproveitamento e diminuir ou impedir a geração de resíduo.

O conceito de Produção Mais Limpa foi definido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), no início da década de 1990, como a aplicação contínua de uma estratégia ambiental preventiva integrada aos processos, produtos e serviços com o intuito de aumentar a ecoeficiência e reduzir os riscos ao homem e ao meio ambiente.

No decorrer dos anos, o conceito de P+L foi ampliado devido às pressões de ONGs, dos consumidores, da competição de mercado e de novos instrumentos de política pública. Passou a incorporar novas variáveis, critérios e princípios, incluindo as questões sociais que estavam relegadas em relação às ambientais.

Produção Sustentável, portanto, representa a evolução do conceito de P+L como sendo a incorporação, ao longo de todo o ciclo de vida de bens e serviços das melhores alternativas possíveis para minimizar custos ambientais e sociais. Esta abordagem preventiva melhora a competitividade das empresas e reduz o risco para saúde humana e meio ambiente e vem sendo trabalhada em nível global, regional e nacional.

Em nível mundial, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Departamento das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais (UNDESA), por meio da Divisão de Desenvolvimento Sustentável, lideram, juntamente com governos nacionais, agências de desenvolvimento, setor privado e sociedade civil, o Processo de Marrakech, que é um programa da Nações Unidas sobre consumos e produções sustentáveis.

Esse processo, que teve início em 2003, como resposta ao Plano de Implementação de Johanesburgo (representantes dos povos do mundo, reunidos durante a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável em Joanesburgo, África do Sul, entre 2 e 4 de setembro de 2002), tem como objetivo desenvolver um Marco de Programas, no período de 10 anos, que apóie iniciativas regionais e nacionais para transformar padrões de Produção e Consumo Sustentáveis (PCS).

Para apoiar a implementação dos projetos em PCS foram criados os Grupos de Trabalho de Marrakech com a participação de especialistas de países desenvolvidos e em desenvolvimento. Estes Grupos são iniciativas voluntárias coordenadas pelos governos que, em cooperação com outros países, se propõem a realizar um grupo de atividades concretas em nível nacional e regional que promovam mudanças nos padrões de PCS.

Já foram formados sete Grupos de Trabalho e o Brasil participa do Grupo sobre Turismo Sustentável, por meio do Ministério do Meio Ambiente (MMA), e no Grupo de Compras Públicas Sustentáveis, é representado pelo Governo do Estado de São Paulo. Desse modo, o Brasil surge como um dos países preocupados com o destino do planeta e interessado em mudar a realidade de poluição em que vivemos, incentivando políticas economicamente sustentáveis nacional e regionalmente.

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