Ciência e Notícia

Universidade Federal de MS

Lagoa Itatiaia pode estar contaminada

27/07/2009 às 08:00

Suspeita de contaminação gera debate sobre preservação de recursos hídricos em Campo Grande

Lagoa Itatiaia

Lagoa Itatiaia

Adriane Mascaro

“Proibido pescar. Água contaminada”. Esta é a frase que chama a atenção de quem chega à Lagoa Itatiaia, localizada no bairro Tiradentes da cidade de Campo Grande – MS, por uma das únicas ruas asfaltadas que dá acesso ao local. Para a comunidade, a placa foi colocada apenas por uma questão de controle, já que ali é proibido pescar. “Essa lagoa não está contaminada. Isto aí é mais uma forma de evitar que as pessoas pesquem e também acabem jogando lixo nela”, diz o Sr. João, dono de um dos bares nas proximidades.

Ele ainda acrescenta, “Eu fico aqui à noite, vejo as pessoas pescando escondido. Ninguém nunca morreu, então não deve estar contaminada”, conclui.

Vanda Galhardo, presidente do bairro, concorda. “Eu não acredito que a lagoa esteja contaminada, porque não tem esgoto que vai para ela”. A presidente desconhece registros de doenças na população que tenham sido provocadas diretamente pela lagoa, apesar dos riscos de contaminação da água. “Tudo isso aí é porque existe gente que tem ciúme doentio da lagoa e não quer que ninguém venha pescar. Tem mãe de família que vem pegar peixe para poder comer”, destaca.

Não há, no entanto, nenhuma pesquisa que comprove se de fato a água está contaminada e quais podem ser as conseqüências para aqueles que fazem uso dela para o lazer ou consomem peixes pescados ali.

Saneamento básico versus poluição

O bairro Tiradentes, local onde fica a lagoa Itatiaia, ainda não possui rede coletora de esgoto e, pela quantidade de casas que existem no entorno da lagoa, a água pode estar contaminada por detritos que escapam de fossas mal-construídas e atingem o lençol freático, que posteriormente chega à Itatiaia.

Segundo a professora Silvia Gervásio do Curso de Biologia da Uniderp, como a Lagoa é alimentada pela água da chuva e pelo lençol freático, principalmente na época de seca, é possível que haja poluição orgânica, por não existir rede de esgoto no local. “Mas não há como afirmar com certeza a contaminação, sem que seja feita uma análise”. Ela diz ainda que para a lagoa, ou qualquer outro ambiente, a falta de saneamento é “lastimável”, pois representa uma situação favorável à disseminação de doenças, que coloca em risco tanto a saúde da população, como a integridade dos recursos naturais, especialmente da água.

O gerente de operações da Cia Águas Guariroba, José Ailton Rodrigues, destaca que há um grande problema em lagoas situadas na região urbana, como é o caso da Itatiaia: “Grande parte da poluição acontece principalmente por lixo, dejetos, combustíveis dos carros, que são carregados para dentro da lagoa com a chuva, isso pode provocar a contaminação da água”, diz ele.

Com relação à contaminação por causa das fossas das casas, Rodrigues diz que há uma grande possibilidade de que isso esteja acontecendo, principalmente pelo nitrato que atinge o lençol freático. O nitrato é muito comum em sistemas de saneamento do tipo fossas. “Tudo depende da maneira como essas fossas são cuidadas, ou seja, se foram bem construídas e se estão sendo bem utilizadas”, conclui.

De acordo com Sérgio Lacerda, assessor do vereador Marcelo Bluma (PV), durante a primeira etapa do Programa Sanear Morena, realizado em parceria entre a prefeitura de Campo Grande e a concessionária Águas Guariroba, o bairro Tiradentes não foi incluído no plano de obras pelo fato da cidade não possuir uma estação de tratamento de esgoto que comportasse toda a demanda da capital. Agora, com a conclusão das obras da estação de tratamento do bairro Los Angeles, há a esperança de que o bairro seja incluído numa possível segunda fase do Sanear Morena.

Apesar dessa possibilidade, Vanda Galhardo, presidente do bairro, diz já ter encaminhado várias vezes pedidos à prefeitura para a inclusão da região em projetos de saneamento básico, sem nunca obter retorno. Além da instalação da rede de esgoto, a intenção da Associação de Moradores é também preservar a lagoa e transformá-la efetivamente em ponto de lazer para o bairro.

Foto: juliana Morais-Ucdb

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