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Importando Lixo ou gerando renda?

10/08/2009 às 08:20

A Justiça mantém a polêmica, enquanto pneus continuam chegando ao País

Pneus empilhados em um depósito


Renan Kubota

A importação de pneus usados e reformados da Europa é uma polêmica que já dura anos. Uma ação movida pelo Governo está em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade de importação de pneus usados no Brasil. No momento a votação sobre esse projeto está suspensa devido ao pedido de vistas do ministro Eros Grau.

Para a relatora do caso, ministra Cármen Lúcia, que votou a favor da proibição da importação, é dever do poder publico proteger a saúde da população e garantir um meio ambiente ecologicamente equilibrado. “Os pneus podem servir de abrigo para insetos que transmitem doenças graves como dengue, malária e febre amarela” justifica a ministra.

No Brasil  100 milhões de pneus velhos estão espalhados em aterros, terrenos baldios, rios e lagos, de acordo com estimativa da Associação Nacional de Indústria de Pneumáticos (Anip). E por ano são descartados no país cerca de 40 milhões de pneus, segundo dados da Associação de Coleta de Pneus Inservíveis (Reciclanip), ou seja, obrigatoriamente o país precisa de uma estrutura adequada para dar conta desse lixo que produz e com a entrada de mais pneus inservíveis essa situação se agravaria.

Por outro lado, segundo estimativa da Associação Brasileira dos Reformadores de Pneus, essa  atividade econômica gera 40 mil empregos diretos e 160 mil indiretos. Ou seja, caso o SFT vete a atividade 200 mil pessoas ficariam desempregadas. De acordo com o advogado ligado à Associação, Carlos Agustinho Tagliari, “Não existe nenhum fundamento legal que proíba a importação de matéria-prima ” , completou. Ele alega que a indústria contribui para melhorar o meio ambiente, pois, para cada quatro pneus que importa, tem que “remover ecologicamente” outros cinco.

Para o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, o preço a se pagar pela importação de pneus de segunda mão é muito alto haja vista que coloca a saúde da população em risco, pois “as substâncias que compõem o pneu são metais pesados, altamente tóxicos e cancerígenas, tais como o chumbo, cromo, cádmio e arsênio”, pondera.

Fonte da foto:

http://oglobo.globo.com/fotos/2008/03/12/12_MHG_RIO_pneus_materia.jpg

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