Ciência e Notícia

Universidade Federal de MS

Novas finalidades para velhos pneus

17/08/2009 às 08:00

Eles tem vários usos: no concreto, na fornalha, no asfalto e no solado, menos encostado. Essa é a lei!

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Alan de F. Brito

O Conama – Conselho Nacional do Meio Ambiente, estabeleceu uma resolução determinando que a cada quatro unidades de pneu fabricadas, cinco inservíveis deveriam receber tratamento pelo próprio fabricante- ou seja, ser reciclado.

Desde então a Anip – Associação nacional da Indústria de Pneumáticos criou a Reciclanip, entidade que ajuda as prefeituras a instalar pontos de coleta e transporte para usinas de trituração dos pneus descartados.

A primeira capital brasileira a instalar os pontos de coleta foi o Rio de Janeiro, em 2003, e hoje recolhe por volta de 1000 toneladas/mês. Belo Horizonte que já utiliza dos pontos de coleta há algum tempo, chega ao impressionante número de 15 tonelada/dia. Agora quem entra no ciclo de coleta oficial, com atraso, é a capital paulista.

Em São Paulo, as equipes de limpeza de áreas públicas chegam a recolher 300 unidades de pneus inservíveis por dia, cerca de 1,5 tonelada. Para efeito de comparação, é como se 46 motoristas jogassem ao léu os quatro pneus do carro todos os dias.

Em Campo Grande, MS, a Prefeitura, juntamente com uma cooperativa, recolhe os pneus descartados das borracharias de toda a cidade e, atualmente, uma empresa de Corumbá está comprando parte desses pneus recolhidos. Em relação ao asfalto-borracha, foi feita apenas uma experiência há três anos. As ruas do Jardim Amapá, próximo à Cohab, foram feitas integralmente de uma mistura que adiciona entre 20 e 30% de pó de pneu à massa asfáltica, segundo Sylvio Cesco, chefe de Divisão de Manutenção de Vias, da Sesup – Secretaria Municipal de Obras Públicas de Campo Grande. Cesco destaca ainda que não há previsão de novas utilizações do asfalto-borracha na capital.

A resolução do Conama, que estabeleceu essa lei foi aprovada em 1999, e desde então 176 milhões de pneus de passeio foram recolhidos pela indústria do setor. Desses números, cerca de 84% é absorvido pela indústria de cimento, que utiliza o produto inteiro no aquecimento dos fornos , e mais recentemente em alguns casos, na elaboração de blocos de concreto, segundo a professora de Engenharia de Produção da Unesp, Rosani de Castro. O restante dessa soma é utilizado na produção de asfalto e em menor número na produção de tapetes, inclusive os automotivos.

Custo e benefício

Contrariando os números, Rosani de Castro, afirma que a melhor utilização da reciclagem do pneu é na pavimentação asfáltica, conforme já apontou a revista Quatro Rodas de Setembro de 2008.

A depender dos diversos estudos avaliatórios realizados por pesquisadores e empresas, a pavimentação com utilização de “pó de pneu” é 30% mais cara que a comum, mas têm durabilidade de 40% à 550% a mais que a usual. Essa variação depende exclusivamente da quantidade de pó utilizado. O ideal é que o asfalto-borracha, seja formado de 20% de pó de pneu.

A diferença de opinião entre pesquisadores e empresas sobre a durabilidade do Asfalto-borracha é gritante. Enquanto os primeiros concordam que a utilização da borracha aumenta o custo mas proporcionalmente também aumenta a vida útil (custo 30% maior – vida útil 40 % maior), as empresas que fazem a granulação da borracha para aplicação na manta asfáltica apostam num rendimento muito superior (custo 30% maior – vida útil até 550% maior). De qualquer modo, o asfalto-borracha não afeta o meio ambiente.

Fonte da foto:

http://www.bomconselho.com.br/content/espaco_turma/2008/cidade_futuro1/1a/lisiane/pneus.jpg

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