Ciência e Notícia

Universidade Federal de MS

Pneus: os grandes vilões do meio ambiente

17/08/2009 às 08:10

Por demorar para ser absorvido pela natureza, pode favorecer proliferações de insetos e doenças

Depósito de pneus usados


José Carlos Prado

Os pneus podem ser considerados os maiores vilões do meio ambiente. A literatura especializada informa que um pneu levaria de 150 a 300 anos para ser completamente absorvido pelo ambiente. Com essa informação pode-se entender que aqueles primeiros pneumáticos de borracha fabricados pelo homem, logo após sua invenção – em 1887, por John Dunlop – ainda podem estar por aí, causando poluição.

O taxista Henrique Barreto da Silva, 51, com mais de trinta anos de profissão, informa que precisa trocar os quatro pneus do seu carro a cada seis meses. E, que esta é a média de todos os táxis de Campo Grande. Pelas normas que regulam o serviço de táxis, não é permitido o uso de pneus recauchutados nos veículos. Descontraído, Henrique se diz assustado com a falta de controle e de segurança no descarte de pneus.

Pelas informações do profissional, deduzimos que os mais de 430 táxis de Campo Grande, no MS, contribuem com cerca de 3500 unidades de pneus, por ano, para a montanha de unidades descartadas.

Quantos pneus o Brasil fabrica?

De acordo com a ANIP (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos, http://www.anip.com.br/) a produção de pneus no Brasil, em 2007, colocou no mercado um total de 56 milhões de unidades, sendo 7 milhões de pneus grandes para caminhões e ônibus e quase 49 milhões para equipar automóveis, motos e camionetes.

Desse total, 22 milhões equiparam veículos exportados. Outros vinte e dois milhões foram vendidos pelos revendedores de pneus. E aí podemos considerar que foi substituída a mesma quantidade de pneus nos veículos. Como apenas um pneu, em cada quatro trocados, tem condições de recauchutagem, estima-se que cerca de 16,5 milhões de pneus foram descartados em 2007, como lixo.

O que fazer com tanto lixo não-degradável?

Nas últimas décadas, governos e as mais diversas instituições (por exemplo: http://www.reciclanip.com.br/ ) têm se movimentado, para dar solução aos problemas ambientais provocados pelo descarte dos pneus. Na Europa, na Ásia, na América do Norte e, especificamente, no Brasil, as pesquisas e tecnologias para a reciclagem e destinação ecopositiva dos pneus evoluíram muito nos últimos 20 anos.

Algumas das alternativas mais interessantes para o reaproveitamento dos pneus inservíveis para rodagem, dentro do ponto de vista econômico e de logística, são:

· Como combustível em fornos de cimenteiras e siderúrgicas, em substituição ao petróleo e carvão vegetal. Muito criticada por poluir a atmosfera com gases nocivos, o solo e mananciais pela deposição de restos da queima, mesmo assim esta alternativa utiliza 69% dos pneus descartados no Brasil.

· Como componente do asfalto-borracha, já muito utilizado na Europa e nos EUA, mas no Brasil não passaram de experiências e testes, abandonados sob a desculpa da economicidade.

· Como fonte de matérias-primas (borracha, nylon e aço) obtidas por processo térmico ao qual é submetido o pneu. Neste processo, que consome 24% do total, os componentes primários voltam às indústrias para novo processamento, quando se transformam em outros bens de consumo: tapetes, mangueiras e pára-choques de veículos, piso de quadras de esportes, antiderrapantes, objetos decoração, ferramentas etc.

· Finalmente, pneus laminados transformam-se em percintas para a indústria moveleira, em vasos e suportes na jardinagem, e outros apetrechos. Isto gasta 7% dos pneus descartados.

Outra utilização, que, em Campo Grande, está em fase de experimentação técnica, é a fragmentação do pneu até o ponto de brita, para substituir o cascalho na fabricação do concreto usinado.

Fonte da foto: http://blogvisao.files.wordpress.com/2007/06/pneus.jpg

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