07/09/2009 às 08:20
Os estudos da Cepaer criam reservas de ervas medicinais e melhoria na produção de mudas de frutos do cerrado

Kaká Fernandez
Quem visita o Cepaer, na saída pra Rochedo, no km 10 da MS 080, pode encontrar em meio aos lotes do horto de plantas medicinais, ou nos viveiros de mudas de guavira, a pesquisadora Ana Cristina Ajalla. Com mestrado, e agora doutoranda em Produção vegetal pela UFGD, formada como Engenharia Agrônoma pela UFMS de Dourados – hoje UFGD, a pesquisadora simpática no trato e enfática quando o assunto é pesquisa de extensão rural, fala sobre ervas bioativas e a pesquisa com a guavira, fruto do cerrado que pode vir a ser produzida em larga escala para comercialização.
Da família Tropaeolaceae, a capuchinha ou agrião-do-méxico, é uma planta rasteira, que dá flores e frutos comestíveis. Os frutos, bastante apreciados pelas maritacas, e as flores preparadas em saladas um tanto exóticas. O nome agrião-do-méxico não é à toa, o sabor da flor assemelha-se muito ao do vegetal.
A propriedades dessa planta foram o objeto de estudo de Ana Ajalla. Em parceria com a UFGD, com recursos do MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário, a pesquisa tem por objetivo a identificação das plantas medicinais, do nome científico e dos seus princípios ativos. “A pessoas falam que tal planta é bom para tal doença, mas muitas vezes a planta é da mesma família mas não é a que tem o princípio ativo”, diz a pesquisadora.
Para tanto a pesquisa disponibiliza não apenas os resultados dos objetos, mas também serve como reserva viva de espécies de plantas tidas como medicinais. Devido ao extrativismo das diversas plantas popularmente usadas como remédios naturais, muitas delas encontram-se bastante diminuídas na natureza.
Portanto, essa reserva, junto a capacitação de pequenos produtores, pode fazer com que haja a diminuição do extrativismo e o começo de uma produção dessas plantas.
A capuchinha, objeto principal dessa pesquisa, já teve suas propriedades divulgadas em congressos científicos. Dentre as propriedades destacam-se o que a pesquisadora chama de Bioativas ou nutracêuticas, ou seja, de alimentos funcionais para a saúde.
A planta pode ter colheita de duas florações por semana, ainda tem vitamina C e carotenóides, que são ótimos antioxidantes e lipossolúveis, ou seja, solúveis em gordura, além de ser de fácil cultivo.
A Guavira
Árvore frondosa, a guavira ou gariroba, é uma fruta de sabor adocicado, que se espalhava por todo o cerrado. Com o aumento da derrubada para a pastagem, grande parte das reservas dessa planta nativa foi extinta.
Para fomentar a cultura desse fruto e os fins comerciais, é que Ana Cristina desenvolve a pesquisa com a produção de mudas.
A Campomanesia, nome científico da família a qual pertence as diversas espécies de guavira, tem propriedades antioxidantes, antidiarréicas e vitamina C, além de um sabor peculiar e adocicado, que faz com que seja utilizada na produção de doces ou na apreciação do fruto in natura.
A pesquisa das mudas tem por objetivo avaliar a espécie com melhor potencial produtivo. Coletadas em diversos pontos do Estado – Jaraguari, Ponta Porã, Bonito Campo Grande e Aquidauana – as sementes deram origem à formação de mudas com a utilização de diversos substratos e diversificação de luminosidade. Constatou-se que a muda prefere menos material orgânico – ou seja adubo – terra mais ácida e mais sombra.
Em uma segunda fase da pesquisa, será analisada a procedência das mudas que renderam melhor, a diferenciação no desenvolvimento das plantas da mesma espécie, ou o campo de variabilidade genética.
A pesquisa é desenvolvida pelo pesquisador do órgão Edmilson Volpe em parceria com a professora da UFGD Maria do Caro Vieira.
Fonte da Foto:
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