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Riqueza e vida saudável

28/09/2009 às 07:13

As implicações que o dinheiro pode ter na qualidade do sono

Mulher não consegue dormir devido à insonia

Aurélio Marques

Aquele que ao menos uma vez na vida não perdeu pelo menos uma noite de sono por causa de dívidas, mesmo que pequena, ou nunca dormiu tranquilamente sabendo que seu rico dinheiro está bem guardado na poupança que atire o primeiro travesseiro.

A edição de março-abril da revista Psychosomatic Medicine, uma das mais importantes revistas de divulgação científica, voltada para área da psicologia, publicou pesquisa mostrando que a riqueza influencia diretamente na saúde, por permitir a pessoas com mais dinheiro um melhor descanso, inverso dos que possuem uma renda menor, cuja qualidade do sono se traduz em um melhor bem-estar físico e mental. Estudos realizados paralelamente associam rendas maiores a menos doenças crônicas, vidas mais longas e melhor saúde mental.

Moralina Albina Centurião, 57 anos, afirma ter uma renda média de 600 reais. Explica que ela e o marido têm um rendimento mensal suficiente para honrar com todas as dívidas, embora pouco para sustentar duas pessoas. Quando questionada sobre a qualidade de seu sono, Moralina conta que ultimamente tem dormido muito bem, uma média de 8 horas, mas lembra que houve uma época nas quais o sono quase não existia, por um motivo bastante conhecido por muitos brasileiros, as dívidas.

Planejamento

Moralina se diz uma pessoa controlada com os gastos, mas na época em que as dívidas se descontrolaram conseguia apenas cochilar, porém logo perdia o sono pensando em como se livraria dos credores. “Eu ficava muito preocupada, não dormia de jeito nenhum, sempre pensando como eu ia fazer para pagar minhas contas, o dinheiro nunca dava”, explica.

Ainda segundo o estudo realizado por Philip J. Moore e seus colaboradores, da Universidade George Washington, em Washington,as razões para explicar um sono de pior qualidade entre as pessoas de baixa renda podem ser óbvias, como a falta de um local calmo e confortável para dormir. Esse sono de qualidade inferior também pode ser causado por fatores estressantes como más condições de trabalho, dívidas ou falta de acesso a serviços.

O estudo foi realizado por meio de entrevistas para avaliar se a qualidade e a quantidade de sono estavam relacionadas com a renda e a saúde. Os 1.000 adultos consultados tinham idades entre 18 a 89 anos. Aqueles com mais escolaridade apresentaram rendas mais elevadas, e, além disso, os mais ricos relataram ter uma saúde física melhor e menos tensões que aqueles com renda mais baixa. As rendas mais altas também foram associadas a uma melhor qualidade de sono, o que se descobriu ter influência sobre a saúde física de uma pessoa.

Bons hábitos

Fábio Gomes da Silva, 24 anos, possui uma renda mais elevada, em torno de 2 mil e 600 reais. Ele explica que nunca foi surpreendido com dívidas muito altas e não ter problemas de sono. Fábio costuma dormir seis horas por noite, mas confessa que seriam necessárias pelo menos oito horas. “Uma noite bem dormida para mim é tudo, durmo seis horas, contudo preciso de oito. Fico com sono durante o dia, porém nada que seja relacionado a dívidas ou a dinheiro” afirma.

De acordo com Moore, descobertas “sugerem que o sono pode ter o papel de traduzir as condições socioeconômicas em saúde, apesar de a questão crucial ser quão bem, e não quanto tempo, as pessoas conseguem dormir”.

É válido ressaltar que nem sempre uma situação financeira estável é sinônimo de uma boa qualidade de vida. Hoje cada vez mais a busca pelo “ter” está se tornando um dos grandes males tanto para saúde mental quanto física. As pessoas acabam se tornando neuróticas, se desgastam e se estressam trabalhando 12, 14 e até 16 horas por dia, ganham muito dinheiro mas tornam sua vida cada vez mais pobres em saúde.

Fonte da foto: http://cybersaude.files.wordpress.com/2007/02/insonia.jpg

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