Ciência e Notícia

Universidade Federal de MS

Narguilé é mais prejudicial à saúde do que cigarro, diz estudo

05/10/2009 às 07:00

Médico alerta sobre quantidade de nicotina inalada em uma sessão e perigo do uso conjunto de bebida alcoólica

Moda entre os jovens, narguille é usado indiscriminadamente

Camila Valderrama
Caroline de Paula
Fernanda Pereira
Jefferson Baicere

Um estudo do professor adjunto no Departamento de Clínica Médica, Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília, Carlos Alberto Viegas, alerta sobre o uso de narguilé, o novo costume dos jovens brasileiros.

Atualmente mais de 100 milhões de pessoas no mundo usam este método diariamente para inalar nicotina. Entretanto, o grau de incidência dessa prática varia de acordo com as culturas onde elas se encontram. Um exemplo é o Líbano, onde 14,6% dos adultos, 25% das grávidas e de 32% dos jovens universitários o utilizam regularmente. Já no Brasil, o uso do narguilé ressurgiu fortemente entre os jovens, atraídos pelo agradável cheiro das essências.

Dados do estudo comprovam que a composição do tabaco usado para esta modalidade de consumo não é padronizada e seu conteúdo de nicotina é estimado entre 2% e 4%. O tabaco usado para cigarros fica entre 1% e 3%. Sendo assim, o monóxido de carbono também está em maior percentual na fumaça do narguilé, devido à queima do carvão. Em uma análise desta fumaça é possível encontrar quantidades significativas de nicotina, cromo e chumbo.

Tempo x Exposição

Outro dado importante é que uma sessão de narguilé expõe o usuário a mais fumaça e por um período mais longo, do que ocorre quando se fuma cigarros. Fumantes de cigarro inalam entre 8 e 12 baforadas de fumaça, em uma média de 5 minutos. Por outro lado, uma sessão de narguilé dura cerca de 20 a 80 minutos e o fumante inala entre 50 e 200 baforadas.

Portanto, o usuário de narguilé deve inalar, em uma sessão, a mesma quantidade de fumaça que um fumante de cigarros inala se consumir 100 ou mais cigarros. “Em uma roda, se a pessoa gasta duas horas, vai fumar muito mais tabaco que se fumasse cigarros”, alerta o médico Carlos Alberto Viegas, que também é profissional do Instituto do Sono.

Um engano cometido pelos jovens é pensar que o uso da água diminui o teor de nicotina inalado. O estudo constata que a água usada no narguilé absorve pouco da nicotina. Apenas cerca de 5% da nicotina sofre absorção e ainda faz com que os fumantes sejam expostos a quantidades suficientes para que a droga cause dependência. Viegas também ressalta que a água não influi e não filtra quase nada e que as consequências podem ser ainda piores se substituída por bebida alcoólica.

A quantidade de nicotina inalada é um importante regulador da quantidade de tabaco fumado. Sendo assim, os fumantes precisam inalar maiores quantidades de fumaça e ficam expostos a maiores quantidades de substâncias cancerígenas e gases nocivos.

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