
Distúrbios do sono, mal da modernidade21/09/2009 às 07:10Pesquisas mostram que grande parte da população dorme mal e os mais afetados são os idosos
Bárbara Ferragini “Demoro para dormir. Fico rolando no colchão até pegar no sono. Tenho até dó do coitado do travesseiro, do tanto que mexo à noite”. Este depoimento, de Dona Argelice Rocha, 71 anos, reforça o resultado de uma pesquisa feita pela Academia Brasileira de Neurologia: 40% dos brasileiros não conseguem ter uma boa noite de sono. O estudo, feito com 40 mil pessoas, demonstrou que grande parte da população dorme mal, por isso, está exposta a mais de 100 tipos de distúrbios do sono que atrapalham o dia-a-dia. No caso dos idosos, o problema aumenta. De acordo com a geriatra Jussimar Mendes de Aquino, em geral, de 30% a 40% dos idosos que atende apresentam insônia. Essa patologia é uma das mais recorrentes na população, quando o assunto é distúrbio do sono. Mas há várias outras. Dados da Sociedade Brasileira do Sono apontam que até 20% dos idosos têm a chamada apnéia do sono (paradas da respiração por mais de 10 segundos). A falta de oxigênio pode deixar as artérias mais rígidas e espessas, aumentando o risco de derrames e infartos. Segundo Marcílio Delmondes Gomes, neurologista especialista em Medicina do Sono, a apnéia do sono é muito comum, não só em idosos, e acontece quando uma obstrução da região atrás da garganta faz com que a pessoa pare de respirar e acorde várias vezes ao longo da noite, causando uma diminuição na sua qualidade cognitiva. Antônio Louzan, 65 anos, nunca consultou um médico para confirmar a patologia, mas afirma apresentar os sintomas. “Sei que devo ter apnéia, pelo menos o pessoal fala”. O ronco e suas consequências De acordo com o neurologista Marcílio Delmondes, roncar intensamente e com frequência é prejudicial à saúde. A pessoa pode ter má qualidade de sono, acordando cansada e sonolenta, apesar de dormir várias horas por noite. Quando o ronco é muito alto e acompanhado de períodos de apnéia pode causar sérios prejuízos à saúde. Além disto, expõe o indivíduo que ronca a um constrangimento social e à problemas matrimoniais frequentes. O médico diz que até 95% dos pacientes que roncam apresentam a apnéia do sono. “A apnéia é uma causa de morte súbita durante o sono, pode causar parada respiratória, acidente vascular, entre outros. Daí a necessidade de diagnosticar e tratar o problema”. Ronco aumenta com a idade… A mulher de Antônio, Nilce de Souza Louzan, 65 anos, diz que o marido ronca muito e que tem medo quando ele para de respirar. “Quando vejo que o barulho do ronco para, dou um cutucão nele para ver se acorda e está bem”, explica Nilce. Antônio sabe que ronca e disse até que já se assustou com o próprio barulho. Ao ser indagado sobre o tempo que apresenta o distúrbio do ronco, ele é até bem humorado. “Acho que ronco a vida toda”, responde rindo. De acordo com a Sociedade Brasileira do Sono, 60% dos homens e 40% das mulheres acima dos 60 anos de idade roncam. A predominância é para o sexo masculino e em pessoas acima do peso ideal, e geralmente tende a piorar com a idade. Situações como cansaço físico intenso e consumo de álcool ou medicamentos sedativos podem eventualmente causar ou exacerbar o quadro de ronco. …e o sono diminui O casal Nilce e Louzan, prestes a completar 40 anos de casados, afirma não ter problemas com o sono. Dorme em média seis horas por noite, acorda bem, descansado. Mesmo assim, não dispensa cochilos durante o dia. “Tiramos cochilo após o almoço e às vezes, ao longo da tarde. Não passa de 20 minutos, mas é ótimo”, explica dona Nilce. Já Argelina conta que sofre de insônia há muitos anos. “Acho que tenho isso desde pequena. Passava horas na beirada da cama acordada. Uma vez, até ensinaram à minha mãe uma simpatia. Eu deveria contar de 1 a 400, depois de 400 a 1, para que o sono viesse”. A aposentada, que dorme em média seis horas por dia, chega a acordar até quatro vezes à noite para ir ao banheiro. “Como levanto muito da cama, o sono demora para aparecer novamente”, desabafa. O psiquiatra e Doutor em Saúde Mental, José Carlos Souza, afirma que a necessidade de dormir diminui com a idade. Assim, crianças precisam dormir mais que os idosos, em média precisam de cinco horas para recuperar as energias. “O importante é que o sono seja reparador”, explica. Insônia nos idosos A geriatra Jussimar afirma que a insônia está ligada a várias patologias. “É necessário investigar o idoso do ponto de vista clínico, para saber a causa da insônia”. Devido à experiência no consultório, ela cita como alguns dos motivos para o idoso dormir mal: preocupação, problemas urinários, dor, artrite, na coluna, apnéia em idosos obesos e também a perda do cônjuge. Jussimar aponta a falta de sol como outro problema que pode levar o idoso a ter um sono prejudicado. “Geralmente, eles não se expõem ao sol, principalmente à tarde, e este sol regula o sono, ativa o mecanismo hormonal. Daí dificulta ainda mais o processo do sono”. A médica ainda afirma que não são só os idosos os propensos a ter insônia, mas qualquer pessoa sem este hábito, ou ainda, se tiver algum distúrbio, pode apresentar a insônia e as patologias, como o ronco. Para saber se você está dormindo bem, fique atento à entrevista abaixo, com o médico Marcílio Delmondes. Fonte da Foto: http://www.cienciahoje.pt/files/24/24169.jpg |