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Sociedade 24 horas

28/09/2009 às 07:09

O que o sono (ou a falta dele) afeta no cotidiano das pessoas que trabalham em turnos noturnos ou integrais

pessoa


Angela Albuquerque

“… Eu quero acordar na cidade que nunca dorme”, foi assim que Frank Sinatra descreveu sabiamente o privilégio de acordar em uma Nova York de homens e mulheres que nunca param de trabalhar. A conveniência e a modernidade de ter serviços à disposição 24 horas ultrapassaram os limites das grandes cidades, assim como a necessidade de produção de bens e prestação de serviços que funcionam ininterruptamente. Isso muda também a rotina, as horas de sonos das pessoas e fazem funcionar essa sociedade que não dorme.

Segundo dados da Fundação SEADE (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados), em 1994, cerca de 10% da população brasileira ativa trabalha em turnos ou à noite e está sujeita à exposição de fatores psicossociais que interferem nos processos saúde-doença. A pesquisa “A Saúde do Trabalhador” mostra que as causas da fadiga no trabalho são múltiplas e em geral, decorrentes das associações das más condições de trabalho, desencontros dos ritmos biológicos e de horários, entre outros.

As consequências  da rotina estafante e da quebra do equilíbrio do sono são inúmeras: desde  acidentes causados pela falta de concentração, estresse e até  sérios problemas de saúde.

Luiz Quadros Moreira é médico é faz plantões há trinta anos. Acostumado com no máximo quatro horas de sono por noite, ele confessa que o resultado mais comum de uma noite mal dormida para um médico plantonista é a falta de paciência na hora de conversar com os pacientes. “Existem médicos que não dão nem bom dia depois de uma noite mal dormida, isso compromete o bom atendimento ao cliente”.

Consequências

Dr. Luiz afirma que os sintomas mais comuns entre os trabalhadores noturnos são envelhecimento precoce, alterações cardio-circulatórias, endócrinas, respiratórias, neurológicas, sexuais, estresse, ansiedade, complicações psiquiátricas, desencadeamento de vícios como o alcoolismo, e o mau humor nos relacionamentos  pessoais e profissionais.

Renata Lima é recepcionista do Hospital do Pênfigo e trabalhou por uma semana no turno da noite. Ela revela que sentia dores de cabeça durante o resto do dia e muita dificuldade para manter-se acordada durante o período de trabalho. “Nada recupera uma noite de sono perdida”.

Antônio Fontinelli é guarda noturno da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul há três anos e concorda com Renata. “De nada adianta dormir em outros horários do dia, você está sempre cansado e indisposto”. Além do envelhecimento precoce, ele também se sente muito estressado e reclama por estar dormindo nos horários em que deveria estar acordado para ajudar na rotina familiar. Para ele, uma boa solução que as empresas deveriam adotar é o revezamento de turnos. “Isso cansaria menos os funcionários e não deixaria a falta de sono virar rotina para ninguém”.

Dr. Luiz dá a dica para melhorar esse ritmo de trabalho: “As pessoas devem conhecer melhor o seu relógio biológico e saber as horas em que mais rendem durante o dia. Devem dormir bem durante as horas de folga, comer alimentos leves e evitar preocupações que atrapalhem o momento do sono, pois ele é de crucial importância para a saúde das pessoas”.

Fonte da foto: http://www.tvaparecida.com.br/blogs/etc/wp-content/uploads/2009/06/sono-6.jpg

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