Ciência e Notícia

Universidade Federal de MS

Concreto com Borracha

17/08/2009 às 08:20

Nova tecnologia aponta o pneu como matéria-prima para construção civil

Foto de uma placa de concreto ecológico

José Carlos Prado

O Departamento de Estruturas e Construção Civil da Universidade Federal de MS foi convidado a formar uma parceria com a empresa ECOPNEUS, recém instalada em Campo Grande, para fornecer o suporte técnico e científico de um novo molde de concreto usinado em que pneus inservíveis, depois de triturados, substituirão até vinte por cento da brita basáltica (pedra, pedrisco).

As pesquisas e os ensaios técnicos estão avançados. A proposta é encontrar o calibre da moagem e as misturas mais adequadas à formulação pretendida.

O vilão regenerado

De acordo com a Professora Mestra em Engenharia Civil Sandra Regina Bertocini, do DEC/CCET/UFMS, a montagem dos equipamentos de trituração já está em andamento, os experimentos e testes em conclusão, e possivelmente, até o final do ano o processamento de pneus descartados para composição de concreto estará à disposição da sociedade.

Pergunta: Professora Sandra, qual o estágio da pesquisa para aproveitamento do pneu como componente de concreto?

Resposta: Foi proposto pela empresa ECOPNEUS a formação de uma parceria com a Universidade para fazermos uma parceria na qual iríamos estudar a brita de pneus, que são triturados em tamanho de brita, para incorporar essa brita ao concreto. Na verdade vamos substituir uma parte da brita basáltica, que é usada em Campo Grande, por essa brita de pneu. Já fizemos os ensaios preliminares. Isso, em São Paulo já é bastante conhecido, e fora do Brasil também. Aí, a ECOPNEUS ofereceu essa possibilidade de a gente fazer os testes com os materiais daqui. Já temos esses resultados. E, o que eu posso colocar por esses estudos preliminares, é que funciona. Os resultados são parecidos com os obtidos em São Paulo.

P: Onde pode ser utilizado esse concreto?

R: A nossa proposta inicial era para se fazer calçada. Havia uma empresa que ia empregar o concreto para fazer calçadas, calçadas de pedestres. E nós pensamos em guard-rails – aquela proteção que é colocada nas margens dos rios e córregos do município – até porque o concreto com borracha apresenta uma dureza menor, sendo menos danoso, em caso de impactos. A gente ainda pensou em fazer cercas, mourões de concreto para cercas. Também nesse caso a brita de borracha fica favorável para o caso de, por exemplo, um boi se jogar contra a cerca.

P: O que se poderia saber sobre o custo-benefício?

R: No momento, o que podemos dizer é que os pneus foram retirados da cidade, através da ECOPNEUS, por causa do combate à dengue, numa parceria com a Prefeitura Municipal. Tivemos um impacto bastante grande com isso. Também podemos dizer que o investimento em máquinas para trabalhar o pneu. Depois ele vai substituir a brita basáltica, que, no caso de Campo Grande, não tem reposição. A rocha sai da natureza e não se renova. E a borracha substitui dez a vinte por cento disso, que é um ganho muito grande para a nossa natureza. O pneu não tem outra maneira de voltar. Ele volta muito pouco. Então a gente está fazendo uma reserva natural ao trocar a pedra pelo pneu inservível, que não tem outros usos.

P: Quanto tempo ainda demoram os estudos, testes e registros desse processo?

R: Esses estudos preliminares foram feitos para a gente conhecer o material. Aqui no Estado não há ninguém que tenha trabalhado com isso. É inédito. A Universidade Federal é a primeira parceira do projeto. Agora já se conhece esse material. Ainda faltam alguns estudos, pois o produto que estamos desenvolvendo, nós vamos patentear. Por isso ainda não posso dar uma informação definitiva, mas até o final do ano o produto estará lançado no mercado.

P: Quanto de pneus, em unidades ou tonelagem, estaria sendo reaproveitado por esse processo e deixam de ir para os lixões?

R: Como a planta de Campo Grande, para a produção de brita de borracha, ainda não está implantada, ainda não está produzindo, não temos condições de dizer. Porque precisamos saber de quantos pneus vamos precisar para produzir um metro cúbico de concreto. Como a planta da ECOPNEUS não está totalmente implantada em Campo Grande, ainda não temos como responder.

P: Esse concreto poderia ser utilizado, também, para a construção do meio-fio das ruas?

R: Sim. Meio-fio, calçadas, cercas, mourões de cerca. Estamos tentando fazer alguma coisa em pisos intertravados, para utilização em calçadas, praças e pátios de estacionamento. Porém, nesse uso, estamos tendo um probleminha porque, com a temperatura alta a borracha se expande, e ela pode se soltar do concreto. Mas já estamos aprofundando os estudos, e logo, logo teremos definido isso.

Fonte da foto:

http://www.tramaweb.com.br/upload/editor/Image/Placa_Concreto%20Ecologico.jpg

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