
Inteligências Múltiplas20/07/2009 às 12:45Perceber sua capacidade é se ajudar
Stephanie Ribas Uma jovem teoria ajuda as pessoas a perceberem melhor sobre suas habilidades, a Teoria das Inteligências Múltiplas. Em 1985, o psicólogo e pesquisador norte-americano Howard Gardner, divulgou sua pesquisa sobre os diferentes tipos de inteligência e os destaca como: musical, espacial, interpessoal, intrapessoal, linguística, lógico-matemática e corporal-cinestésica. Tipos de InteligênciasInteligência musical – se caracteriza pela capacidade de distinguir e reconhecer diferentes sons, sensibilidade para diferenciar ritmos e capacidade de produzir e reproduzir música. As pessoas que têm essa inteligência como uma das principais geralmente canta para si mesma. Inteligência espacial – se destaca na capacidade para perceber o mundo visual e espacial de forma precisa, manipular objetos e espaços mentalmente e, a partir daí, criar equilíbrio e composição, em uma representação visual. É a inteligência dos artistas plásticos e arquitetos, profissões que requerem detalhes visuais. Inteligência interpessoal – basicamente é a inteligência das pessoas que entendem e respondem com reciprocidade a atitudes e emoções de outras pessoas. Professores, políticos e vendedores se destacam ao desenvolver essa inteligência. Inteligência intrapessoal – é o oposto da interpessoal, ou seja, reconhecimento e compreensão de necessidades e desejos próprios e habilidade para usar essa compreensão de forma efetiva. Por ser a mais pessoal, esta inteligência só é perceptível através de outras como a musical ou a linguística. Inteligência linguística – a atenção para o significado e harmonia das palavras e a capacidade de reconhecer as diferentes funções da linguagem caracterizam essa inteligência. Gardner indica que é a habilidade exibida na sua maior intensidade pelos poetas. Inteligência lógico-matemática – é a habilidade para raciocínios rápidos, análise e resolução de problemas. Os componentes centrais desta inteligência são descritos por Gardner como uma sensibilidade para padrões, ordem e sistematização. É a inteligência característica de matemáticos e cientistas. Gardner, porém, explica que, embora o talento científico e o matemático possam estar presentes num mesmo indivíduo, os motivos que movem as ações dos cientistas e dos matemáticos não são os mesmos.
Inteligência corporal-sinestésica – se refere à capacidade de resolver problemas ou criar produtos através do uso de uma parte ou de todo o corpo. É a inteligência que move a coordenação para esportes, artes cênicas, expressão corporal e manipulação de objetos com destreza, como futebol, corte e costura e artesanato. O psiquiatra livre-docente Dr. Salvador de Miranda Sá Junior, que atua na Santa Casa de Campo Grande e é professor titular na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), considera que o conceito de inteligências múltiplas já é uma evolução da inteligência como se fosse somente uma, pois assim, compreendemos melhor as pessoas. E explica que alguns raciocínios as pessoas não aceitam porque a sua inteligência que mais se destaca rejeita. Por exemplo: pessoas que têm alta capacidade em inteligência lingüística não conseguiam tirar notas boas em matemática na escola e geralmente não gostam de cálculos. Gardner resume: a maioria das pessoas é, ao mesmo tempo, inteligente para algumas áreas do conhecimento e limitada para outras. A teoria na prática A doutora em Linguística Aplicada e professora na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar – SP), Denise Abreu e Lima, explicou ao Núcleo de Jornalismo Científico como utiliza o conhecimento em teoria das inteligências múltiplas para melhorar o aprendizado de seus alunos. Ela diz que há várias formas de aplicar a teoria na prática e em suas aulas faz uso de vídeos, músicas, metáforas e situações-problema. “É importante sempre ter em mente que o segredo está em se fazer boas perguntas, que façam os alunos refletirem sobre o que está sendo aprendido fazendo conexões com outros assuntos”, explica Denise. A professora Denise ainda alerta que não podemos abrir mão de uma atividade apenas porque esta não se encaixa em nossas principais inteligências, mas teremos que nos esforçar mais para executá-la com sucesso. Se a nossa inteligência que mais se destaca for a intrapessoal, por exemplo, teremos que nos dedicar mais para seguir uma profissão que se encaixa nas características da inteligência interpessoal. E lembra que não necessariamente desenvolvemos bem apenas o que gostamos de fazer. “Um exemplo disso é limpar a casa: podemos ser pró-ativos (intrapessoal), saber categorizar, organizar e colocar as coisas no lugar (espacial), entendermos exatamente como proceder com os produtos de limpeza (lógico-matemática), ser hábeis ao lidar com instrumentos (corporal-cinestésica) e isso tudo junto poderá fazer com que a casa fique limpa”. Denise explica que é importante que as pessoas reconheçam seus principais tipos de inteligências, porque assim elas “se tornam mais tolerantes e conseguem lidar melhor com outras pessoas. Conseguem perceber as inteligências nos maus comportamentos, pois inteligência é amoral, não há certo ou errado”. Assim, as pessoas entendem o que cada um pode oferecer de melhor e podem compreender quais são as verdadeiras potencialidades de si próprio e do outro. “Não precisamos ser bons em tudo e isso nos dá uma sensação de paz interior e tranqüilidade”, esclarece. E não adianta dizer que é mais inteligente que o outro pelo resultado do teste de inteligência, pois o resultado é relativo. O psiquiatra Dr. Salvador lamenta que ainda não exista um teste eficiente o bastante que ultrapasse o etnocentrismo, as barreiras culturais. Por isso as pessoas de países desenvolvidos acabam sendo classificadas como mais inteligentes que as pessoas dos países subdesenvolvidos. Para descobrir qual o seu tipo de inteligência que mais se destaca, visite o site www.inteligenciasmultiplas.com.br e responda ao inventário. Neste mesmo site entenda como as inteligências se manifestam e conheça suas principais características. |