
Uma nova visão da pesquisa rural24/08/2009 às 21:24Inovações começam a mudar o trabalho científico no campo em Mato Grosso do Sul
Vinícius Squinelo A pesquisa Rural em Mato Grosso do Sul, em sua grande maioria, é realizada de forma tradicional, baseada nos trabalhos em laboratório ou, em poucas vezes, no campo junto com o produtor. Essa visão conservadora da pesquisa acaba por acarretar diversos problemas para o rendimento, principalmente social, dos trabalhos em desenvolvimento. Tércio Fehlauer, mestre em Agrossistema, comenta sobre esses problemas: “Existe imposição de meios técnicos na pesquisa, não há diversidade na visão de trabalho. Deveríamos levar mais em conta a realidade dos produtores”. A falta de contato com as sociedades locais é muito grande. Na Cepaer – órgão responsável no Estado pela pesquisa rural – só existe uma pesquisa de modelo participativo (que busca exatamente esse contato local). Tércio, que participa desse projeto participativo, com o processamento do baru na região de Anastácio sob coordenação do pesquisador Arceley Bambil, complementa que “essa falta de contato com a realidade local é ruim para a sustentabilidade das pequenas sociedades”. Melhoria de vida Essa nova visão, voltada para o local, não busca somente o desenvolvimento sustentável, mas também resultados mais imediatos. O objetivo final é a melhoria na qualidade de vida do produtor e sua família. O pesquisador Antonio Morcelli, funcionário da Cepaer diz que “Temos que fazer o pequeno produtor realmente ter uma melhora e quando falo isso, falo de forma financeira mesmo. Ele tem que sentir no bolso o benefício provindo de nossas pesquisas”. Segundo Tércio Fehlauer, o modelo de pesquisa atualmente praticado é muito tradicional, muito voltado para a produção tecnológica. “Isto precisa mudar e respeitar as sociedades locais, é o que temos que fazer”, tese que em seu mestrado teve grande ênfase em antropologia.
Fonte da foto: http://saudavel.blogs.sapo.pt/arquivo/rural-1-thumb.jpg |