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	<title>Ciência e Notícia &#187; Ciências Biológicas</title>
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		<title>A voz de quem escutou o HCV</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Jun 2009 11:25:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Greicy Mara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências Biológicas]]></category>

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Jovana Somensi

São nas estradas da vida que traçamos nossos caminhos. Elas nos levam onde queremos chegar, e nos perdem quando não as conhecemos. Algumas curvas, algumas retas, algumas perigosas. Foi em um asfalto desses que a queda da moto do carioca Haroldo Pereira, engenheiro por formação e analista de sistemas por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_206" class="wp-caption aligncenter" style="width: 170px"><img class="size-full wp-image-206" title="jovanahv12" src="http://ensaio.cienciaenoticia.com.br/wp-content/uploads/2009/06/jovanahv12.jpg" alt="A comovente história de Harold" width="160" height="120" /><p class="wp-caption-text">A comovente história de Harold</p></div>
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<p class="MsoNormal" style="text-align: left; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: left; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument> <w:View>Normal</w:View> <w:Zoom>0</w:Zoom> <w:HyphenationZone>21</w:HyphenationZone> <w:Compatibility> <w:BreakWrappedTables /> <w:SnapToGridInCell /> <w:WrapTextWithPunct /> <w:UseAsianBreakRules /> </w:Compatibility> <w:BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4</w:BrowserLevel> </w:WordDocument> </xml><![endif]--><!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --><!--[if gte mso 10]> <mce:style><!   /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman";} --> <!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><em><br />
</em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: left; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: left; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><strong>Jovana Somensi</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">São nas estradas da vida que traçamos nossos caminhos. Elas nos levam onde queremos chegar, e nos perdem quando não as conhecemos. Algumas curvas, algumas retas, algumas perigosas. Foi em um asfalto desses que a queda da moto do carioca Haroldo Pereira, engenheiro por formação e analista de sistemas por natureza e prática, mudou completamente a vida dele.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">No hospital, em meio ao vai-e-vem de enfermeiras e médicos e a preocupação dos familiares, o fêmur machucado sendo operado. Naquele ambiente hostil, os mesmos 1.200 mililitros de sangue transfundidos salvaram e adoeceram Haroldo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">“Na ocasião minha preocupação era com o HIV, nunca me ocorreu pegar Hepatite na transfusão. Até aquela data, nunca tinha ouvido falar em Hepatite C&#8230;”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><strong>O vírus mudo e desconhecido</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">Especialistas, médicos e o governo concordam em um ponto quanto à hepatite, em especial a do tipo C, que é uma doença pouco conhecida e muito perigosa. Segundo o Hepcentro (Hepatologia médica – ciência e ética), que estuda as hepatites, 90 por cento das pessoas que possuem o vírus da Hepatite C não sabem, porque a doença não tem sintomas claros, na maior parte das vezes. Tanto é que a estimativa do Grupo Otimismo <strong>(HIPERLINK link da matéria da Fabi)</strong> é de que a cada 30 pessoas, pelo menos uma tenha algum VH (vírus de hepatite), e os dados mais recentes do SUS (Sistema Único de Saúde) apontam, em 2005, apenas 13.261 casos confirmados de Hepatite C ou Hepatite C juntamente com HBV (hepatite B).</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">Em uma perspectiva animadora, três milhões de brasileiros têm hepatite C. Quantos deles vão chegar a saber disso antes que se torne uma doença crônica, que desenvolve cirrose e/ou câncer, continua um mistério. Já o analista de sistemas contou com a sorte do destino para não ser uma dessas pessoas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><strong>Mais uma Hepatite</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">Cinco anos depois do acidente, em 1996, a então namorada de Haroldo voltou de uma viagem ao Norte do país. Além dos mimos e histórias, mais um presente ela trouxe ao namorado: um HAV (hepatite A). Para muitos, um infortúnio, para o analista, salvação.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">“Depois de dois meses ela ficou boa e eu não. Muito fiquei intrigado, pois sou uma pessoa muito saudável, sempre pratiquei esporte, sou ex-maratonista&#8230; Comentando com meu médico, ele achou por bem pedir os indicadores para os três tipos de VHs. (A, B e C). Aí então apareceu a hepatite C ”, lembra.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">O esportista, a partir de então, teve que diminuir o ritmo. Em casa, os cuidados maiores foram para evitar cortes e expor machucados. Haroldo conta que a transmissão pelo sangue dificulta, para quem cuida, a contaminação pelo vírus da Hepatite C, ao contrário da hepatite A, que vem por condições insalubres (água contaminada, esgotos e lugares sujos). Mesmo assim, toda vez que ia ao dentista, o engenheiro avisou que era um portador.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><strong>O tratamento</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><span style="color: red;"><span> </span></span>O primeiro tratamento de Haroldo foi o início de uma jornada. Na primeira fase, usou o Interferon, medicamento que age diretamente contra o vírus da Hepatite C, aumentando imunidade.<span style="color: red;"> </span>“Nesta primeira fase, o chato era se aplicar a injeção, dia sim dia não. Os efeitos colaterais eram bem imperceptíveis, na verdade só lembro do cansaço”, recorda Haroldo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">Já no segundo tratamento&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">“Nesse segundo tratamento, os efeitos colaterais eram bem mais fortes. A primeira dose que me apliquei, deixou-me prostrado, na cama por algumas horas de tamanha ‘porrada’. Além disso, o cansaço era bem maior. Eu acostumado a nadar<span> </span>cinco vezes<span> </span>por semana, passei a duas vezes, ou uma, por semana. A depressão também aumentou sua freqüência.”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">Haroldo ainda conta que sempre manteve a boa alimentação. Para ele, o mais importante era se curar, por isso se obrigou a persistir. O analista de sistemas, mesmo com as dificuldades, recomenda sempre o tratamento. Ele diz que a possibilidade de cura é maior, e mesmo que ela não aconteça o ataque ao fígado é menor.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><strong>E o governo em tudo isso?</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">- Você foi apoiado em algum momento pelo governo?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">- Munido da indicação do médico, dos exames de histologia, e um arrazoado jurídico, preparado por minha filha, que é advogada, entrei na Justiça para solicitar o fornecimento dos remédios, pois não tinha dinheiro para pagar o tratamento, só de Interferon Peguilado, era o equivalente a 12 mil reais mensais, ainda havia a Ribavirina. Consegui que a Justiça sentenciasse a meu favor, e fiz o tratamento com os remédios fornecidos inicialmente pelo governo Estadual e depois pelo Municipal.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">Ao contrário do que aconteceu lá no Rio de Janeiro com Haroldo, daqueles três milhões de brasileiros com HCV, apenas os cerca de 13 mil reconhecidos pelo SUS podem receber esse apoio. Seja por desconhecimento, ou falta de suporte jurídico eficiente.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">
<div id="attachment_121" class="wp-caption aligncenter" style="width: 160px"><img class="size-thumbnail wp-image-121" title="jovanahv2" src="http://ensaio.cienciaenoticia.com.br/wp-content/uploads/2009/06/jovanahv2-150x150.jpg" alt="Negativado, Haroldo torce com o filho Kevin, a filha Tatiana e a neta Manoela" width="150" height="150" /><p class="wp-caption-text">Negativado, Haroldo torce com o filho Kevin, a filha Tatiana e a neta Manoela</p></div>
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<p><!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><strong>A ajuda vem da união</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">Embora não tenha sofrido preconceito, já que assumiu a doença desde o princípio, lutando contra ela, Haroldo conta que descobrir companheiros portadores do vírus da Hepatite C, através do Grupo Otimismo, foi o mais importante acontecimento da vida dele, desde que foi identificado o HCV positivo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">“Sempre que tinha um problema, levava para o Grupo, que me esclarecia e se solidarizava nos momentos mais pesados e difíceis. Na minha primeira reunião, estava apavorado com o fato de ter que fazer a biopsia do fígado, para avaliar o dano causado. Todo mundo riu muito de mim, pois todos já haviam feito, alguns até mais de uma vez.”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">Para Haroldo, a ignorância tem um aspecto mais nocivo que o preconceito: esconder dos potenciais portadores a possibilidade de se saber infectado, inibindo o tratamento da doença.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;">Hoje, e desde cinco anos atrás, o engenheiro, o ex-maratonista, o analista de sistemas, Haroldo pode sentar num barzinho a beira-mar, numa tarde ensolarada, com óculos escuros e água de coco, e contar sua história. Feliz. Curado.</p>
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